A distribuidora Europa Filmes decidiu alterar os seus planos comerciais e adiou o lançamento de Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro, para o período posterior às eleições. Inicialmente planejada para chegar aos cinemas em setembro, perto do primeiro turno, a estreia foi repensada pelo diretor-geral da empresa, Wilson Feitosa.
Em declaração ao jornal O Globo, o executivo admitiu que a decisão foi fortemente influenciada por uma experiência negativa anterior. Segundo Feitosa, lançar produções de cunho político em anos eleitorais costuma gerar ruídos indesejados, algo que ele vivenciou de perto em 2010 com a chegada aos cinemas de Lula, o Filho do Brasil. O objetivo atual da distribuidora é focar em um trabalho estratégico e bem executado, longe do calor das urnas e de polarizações partidárias imediatas.
Nos bastidores políticos e comerciais, no entanto, pesou também a repercussão negativa em torno das investigações sobre o financiamento bilionário do longa-metragem. Reportagens reveladas pelo The Intercept Brasil expuseram mensagens em que Flávio Bolsonaro pedia recursos diretamente ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master. As negociações apontavam para um montante total de R$ 134 milhões, dos quais cerca de R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados à produção.
Se antes o filme era visto por aliados como um ativo eleitoral valioso para mobilizar a base bolsonarista, o avanço das apurações transformou a obra em um potencial foco de questionamentos jurídicos e fiscais sobre a origem e a transparência do dinheiro investido.
Enquanto a data definitiva de estreia segue em aberto para o pós-eleições, o projeto ainda precisa vencer etapas burocráticas importantes na esfera regulatória. Embora já tenha conquistado o Registro de Obra Estrangeira junto à Agência Nacional do Cinema (Ancine), o longa ainda aguarda a emissão do Certificado de Registro de Título, documento fundamental para viabilizar a exploração comercial nas salas de cinema brasileiras.
A defesa da produtora Go Up Entertainment apresentou recentemente um laudo de perícia privada apontando gastos na ordem de R$ 75,2 milhões, assegurando que não houve utilização de verbas públicas ou incentivos fiscais. Contudo, investigações da Polícia Federal continuam em andamento para apurar a destinação dos recursos, mantendo o filme no centro de intensos debates políticos e jurídicos.








