O cenário político fluminense ganhou novos contornos com a definição do designados ao pleito majoritário. O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) bateu o martelo e escolheu o senador Carlos Portinho como o candidato oficial do partido ao Senado pelo Rio de Janeiro. A decisão encerra semanas de intensas indefinições de bastidores. A vaga na chapa estava aberta desde que o ex-governador Cláudio Castro desistiu formalmente da disputa, após enfrentar graves problemas legais que culminaram em sua inelegibilidade para o pleito.
A indicação de Portinho foi o desfecho de uma queda de braço no PL fluminense. O senador disputava a indicação diretamente com o deputado federal Carlos Jordy, expoente da ala mais ideológica do bolsonarismo. No entanto, pesou a favor de Portinho a sua reconhecida capacidade de articulação política e a sólida relação construída com diversos prefeitos do estado. Essa ampla rede de prefeitos se mobilizou ativamente nos bastidores para defender a escolha do senador na composição da chapa majoritária.
Dirigentes partidários avaliaram que Portinho possui maior potencial de expansão eleitoral. A estratégia visa alcançar fatias do eleitorado fluminense que vão além da base mais fiel e radical da direita. Em contrapartida, a avaliação interna indicava que Jordy teria maior dificuldade de dialogar com setores políticos moderados. Essa característica acabou sendo decisiva para o seu isolamento no processo de escolha e a consequente vitória política do atual senador na mesa de negociações.
Apesar de formalmente encerrada, a disputa pelo espaço no Senado Federal não pacificou a legenda. A demora de Flávio Bolsonaro em sacramentar o candidato já vinha alimentando um forte desconforto. Lideranças do PL no Rio de Janeiro acumulam desgastes após uma sequência de crises políticas locais. O ambiente de desconfiança se acentuou e a militância segue cobrando posições mais firmes da cúpula do partido diante do atual xadrez partidário do estado.
A tensão interna escalou consideravelmente após a última passagem de Flávio Bolsonaro pelo território fluminense. O parlamentar cumpriu uma agenda de encontros com integrantes da influente família Reis, de Duque de Caxias. O grupo é historicamente aliado do prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), principal adversário do PL. Essa aproximação pragmática gerou forte irritação e foi vista com profunda desconfiança por parte da militância e por dirigentes municipais.
Paralelamente, o PL se organiza para a complexa disputa pelo comando do Poder Executivo estadual. O presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Douglas Ruas, está posicionado como o pré-candidato do partido. Ele tentará o Palácio Guanabara com o apoio da estrutura partidária que agora começa a se desenhar. A definição do nome ao Senado era o elemento que faltava para a consolidação da chapa e a estratégia global de 2026.








