A corrida pela sucessão presidencial entra oficialmente em sua fase decisiva neste fim de semana com a realização de duas grandes convenções partidárias na capital paulista. O Partido Liberal (PL) oficializa neste sábado (25) a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. No domingo (26), será a vez de o Partido Social Democrático (PSD) confirmar o nome do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, na disputa pelo Palácio do Planalto.
Os eventos ocorrem em meio à divulgação da mais recente pesquisa Datafolha, que aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança com 40% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro com 32% e Ronaldo Caiado com 4%.
Flávio Bolsonaro inicia campanha sob isolamento político e crise com Michelle
Apesar de consolidado como o principal nome da oposição, Flávio Bolsonaro chega à convenção nacional do PL em um momento de severa crise de articulação política. O senador sobe ao palanque sem ter definido quem ocupará a vaga de vice em sua chapa e sem fechar nenhuma aliança formal com outras legendas. Importantes forças de centro-direita, como o partido Republicanos e a federação formada por União Brasil e PP, indicaram que devem adotar neutralidade no primeiro turno.
O isolamento é agravado por polêmicas recentes envolvendo o nome do presidenciável, que incluem revelações sobre suas ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro e o desgaste gerado pelo “tarifaço” imposto pelo governo americano de Donald Trump às exportações brasileiras. No âmbito familiar, Flávio tenta estancar uma crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Embora Michelle tenha gravado um vídeo aceitando um pedido de desculpas do enteado após desavenças públicas, a tendência é que ela não compareça ao evento presencial. Aliados do senador articulam para que ela envie uma gravação ou faça um gesto de apoio virtual para sinalizar unidade ao eleitorado conservador.
Caiado aposta em “chapa puro-sangue” liderada por Kassab
Em contrapartida, Ronaldo Caiado entra na disputa com a engenharia partidária equacionada. O goiano disputará o Planalto em uma chapa “puro-sangue” do PSD, tendo como candidato a vice-presidente o fundador e presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab. O desenho foi anunciado no início de julho.
O maior desafio de Caiado é romper a polarização nacional e fazer sua candidatura decolar nas pesquisas de opinião. Para demonstrar muscultura, a cúpula do PSD desenhou uma estratégia para associar a imagem de Caiado à do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Contudo, de acordo com informações da CNN Brasil, Tarcísio avalia faltar à convenção do PSD para evitar que sua presença seja interpretada como um endosso formal a Caiado, mantendo seu compromisso político e histórico com a base bolsonarista.
O xadrez das convenções e o calendário do TSE
As convenções partidárias foram liberadas pela Justiça Eleitoral em 20 de julho e o prazo final para a realização dos eventos termina no dia 5 de agosto. O calendário eleitoral estipula ainda o dia 15 de agosto como data limite para o registro oficial de todas as candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
| Pré-candidato | Partido | Data da Convenção | Formato / Local |
| Renan Santos | Missão | 20 de julho | Videoconferência (Ato em SP em 01/08) |
| Flávio Bolsonaro | PL | 25 de julho | Presencial / São Paulo |
| Ronaldo Caiado | PSD | 26 de julho | Presencial / São Paulo |
| Romeu Zema | Novo | 27 de julho | Presencial / Brasília |
| Luiz Inácio Lula da Silva | PT | 2 de agosto | Presencial / São Paulo |
O advogado eleitoral Guilherme Barcelos, sócio do escritório Barcelos Alarcon Advogados, explica que o período altera o status jurídico dos competidores. “O candidato, para que obtenha o deferimento do seu registro de candidatura, deverá necessariamente ter sido escolhido em convenção”, afirma o especialista. Na prática, o rito formal transforma os pré-candidatos em candidatos oficiais aos cargos de presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual.








