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Fraudes nas Americanas: PF cumpre novos mandados, e Justiça manda bloquear R$ 54 bilhões

Agentes e procuradores saíram para cumprir 9 mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo.

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reprodução

A Polícia Federal (PF) iniciou nesta quinta-feira (25), com apoio do Ministério Público Federal (MPF), a 2ª fase da Operação Disclosure, que investiga a fraude bilionária nas Americanas — cujo prejuízo, agora, pode chegar a R$ 54 bilhões, de acordo com os laudos técnicos periciais.

Agentes e procuradores saíram para cumprir 9 mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro também determinou o sequestro de bens e valores em nome dos envolvidos de R$ 54 bilhões.

Desta vez, a força-tarefa busca apurar se acionistas das Americanas e representantes de bancos privados também participaram do esquema.

Segundo a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, ex-executivos da companhia montaram um esquema para inflar artificialmente os lucros e o caixa da empresa, ocultando dívidas e manipulando balanços para valorizar as ações negociadas na Bolsa.

De acordo com a investigação, os envolvidos recebiam bônus milionários atrelados ao desempenho financeiro e lucravam com a venda de papéis valorizados artificialmente.

“Os suspeitos teriam conhecimento de supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico”, afirmou a PF.

A 1ª fase da operação
A fraude contábil da Americanas veio à tona em 11 de janeiro de 2023, quando a companhia informou ter identificado inconsistências em lançamentos contábeis que, inicialmente, somavam cerca de R$ 20 bilhões — o que levou a empresa a pedir recuperação judicial.

Em junho de 2024, a Polícia Federal deflagrou a 1ª fase da Operação Disclosure e cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão contra ex-executivos da companhia.

O ex-CEO Miguel Gutierrez, que vivia na Espanha desde a revelação do escândalo, foi preso em Madri um dia depois, após ter o nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol — Gutierrez não é alvo de mandado nesta quinta-feira.

Em agosto de 2024, porém, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região revogou sua prisão preventiva, entendendo que não havia fuga da jurisdição brasileira.

Em março de 2025, após o indiciamento pela Polícia Federal, o Ministério Público Federal denunciou 13 ex-executivos e ex-funcionários da empresa.

Segundo a denúncia, o esquema era liderado por Gutierrez e envolvia uma estrutura organizada para manipular resultados financeiros, enganar investidores e ocultar a real situação patrimonial da companhia. Os denunciados respondem por crimes como organização criminosa, manipulação de mercado, falsidade ideológica e, em parte dos casos, uso de informação privilegiada.

Em março deste ano, a Americanas informou que entrou com um pedido na Justiça para encerrar seu processo de recuperação judicial.

Segundo a companhia, a solicitação foi feita após o cumprimento das obrigações previstas no plano aprovado pelos credores, dentro do prazo legal de até dois anos após a homologação.