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Gotinha de reforço contra a poliomielite pode se tornar esquema totalmente injetável

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Foto: Divulgação

O Ministério da Saúde quer substituir a gotinha usada no reforço da vacina da poliomielite para um esquema totalmente injetável. O tema será debatido em uma reunião da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização no mês de julho. Atualmente, o esquema vacinal da pólio já utiliza três doses injetáveis e apenas o reforço é feito com as gotinhas.

A justificativa é alinhar a rotina vacinal brasileira com o que é já é recomendado por organizações internacionais de saúde, para reduzir a circulação do vírus no país. A transição para o esquema total injetável já vinha sendo feita de forma gradual e agora, a pasta pretende colocar a mudança totalmente em prática a partir de 2024. Ainda que as doses orais sejam substituídas, integrantes do ministério garantem que o mascote “Zé Gotinha” continuará sendo o símbolo do Programa Nacional de Imunizações.

A versão do imunizante injetável utiliza o vírus inativado, já as gotinhas utilizam uma versão atenuada do vírus, que acaba voltando para o meio ambiente por meio das fezes das crianças. Atualmente, o esquema vacinal contra pólio é ministrado aos dois, quatro e seis meses de vida por meio de uma injeção e, depois, reforçado aos 15 meses e aos 4 anos com as doses orais.

Apesar da tendência de mudança, a supressão das gotinhas é objeto de ponderações. Ainda que parte dos especialistas considerem a transição natural, há aqueles que destacam a possibilidade de que a utilização de doses injetáveis possa derrubar ainda mais a cobertura vacinal. No último ano, a cobertura vacinal contra a doença ficou na casa de 77,1%, bem distante da meta de 95%.

Também é discutido a dificuldade de obter número suficiente de doses injetáveis no mercado, porém, integrantes do Ministério da Saúde afirmam, que esse não seria um obstáculo já que as negociações começariam em tempo hábil.

Especialistas destacam que é preciso pensar com cautela sobre a mudança do esquema de transição para o sistema vacinal, considerando inclusive os índices atuais de cobertura.

– A retirada do uso da pólio oral é um tema ainda controverso e que divide opiniões. A própria OMS entende que os países devem ter muito cuidado na suspensão do uso da gotinha oral especialmente nos lugares onde a cobertura oral com vacina injetável não é boa, que é o nosso caso. No primeiro ano de vida temos só 70% das crianças com três doses. Corre o risco de reduzir mais ainda essa cobertura vacinal. Por outro lado, continuar usando pólio oral continua colocando vírus vivos no ambiente e correndo risco deles sofrerem mutações e causar paralisia também. É um tema controverso, que divide opinião de especialistas e o cenário precisa ser debatido com muita profundidade num país tão diverso quanto o nosso, com tantas realidades de coberturas vacinais como a nossa – pondera Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações e membro da CTAI.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que as estratégias de vacinação adotadas no Brasil, assim como os imunizantes indicados para cada público, levam em conta o avanço tecnológico do setor e novas evidências científicas, sempre discutidos no âmbito da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunizações (CTAI).