O governo Lula demitiu nesta segunda-feira o presidente do INSS, Gilberto Waller, que estava no cargo há 11 meses. Ele assumiu o posto no ano passado como resposta às investigações sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões, mas se desgastou por conta do tamanho da fila de requerimentos no instituto, que chegou a 2,6 milhões em março. O Palácio do Planalto teme o impacto disso nas eleições deste ano.
A demissão foi anunciada pelo ministro da Previdência, Wolney Queiroz, que estava em rota de colisão com Waller desde o ano passado. Um dos principais focos de tensão era o tamanho da fila de requerimentos do órgão.
Dados mais recentes mostram que o INSS ainda lida com uma fila elevada. Em março, o estoque de pedidos aguardando análise caiu de 3,1 milhões para 2,7 milhões. Apesar da melhora pontual, o volume segue alto e pressionado pela entrada constante de novos requerimentos, cerca de 61 mil por dia, segundo o próprio instituto. Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que a queda não tem sido suficiente para mudar a percepção negativa da população.
Gilberto foi avisado da demissão nesta segunda-feira pelo secretário executivo da Previdência, Felipe Cavalcante e Silva. Logo depois, o INSS divulgou nota dizendo que 1,625 milhão de processos foram concluídos em março, um recorde.
Nos bastidores, o ministro responsabiliza o presidente do INSS pelas filas e diz que ele é um auditor, não gestor. Em uma solenidade para comemorar o aniversário do INSS, em junho, Queiroz contou, em tom de brincadeira, que, quando assumiu, Waller já tinha sido nomeado presidente do INSS. Para um auditório lotado de servidores, disse que reclamou da indicação ao presidente Lula pelo fato de ter escolhido “um corregedor, um cara frio, lavajatista” (em referência à Operação Lava-Jato). Segundo Queiroz, Lula respondeu: “Calma rapaz, vocês vão se dar bem”.
— Eu falei mal de você com o presidente Lula — disse o ministro ao se dirigir a Waller, que fazia parte da mesa, provocando risadas e constrangimento ao mesmo tempo.
A disputa se dá enquanto a fila do INSS não para de subir. A automação da análise dos pedidos acelerou a triagem, mas não conseguiu absorver o grosso das solicitações.
Servidora assume
Ana Cristina é servidora de carreira e ingressou no Instituto em 2003 como Analista do Seguro Social. Antes de assumir a presidência do INSS, ocupava o cargo de secretária-executiva adjunta do Ministério da Previdência Social. Sua carreira inclui, ainda, a presidência do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) por quase três anos.






