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“Enquanto eu não souber o que houve com a minha filha, não desisto”: caso Thaís de Lima Barros segue sem respostas há 23 anos

Mãe relembra o sequestro da menina, de 9 anos à época, por um desconhecido em uma feira livre na Vila Kennedy

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Foto: Arquivo pessoal

Há exatos 23 anos, Thaís de Lima Barros, então com 9 anos, foi raptada por volta das 10h20 do dia 22 de dezembro de 2002, no bairro Vila Kennedy, Zona Oeste do Rio de Janeiro. A menina estava com familiares, conhecidos na região, em uma feira livre na Avenida Marrocos, quando foi sequestrada por um desconhecido. Desde então, a mãe, Elisabete Martins de Lima Barros, convive com a dor e a incerteza sobre o destino da filha.

Naquela manhã de domingo, Thaís acompanhava o primo Daniel, de 5 anos, e a tia, que trabalhava em uma barraca de produtos trazidos do Paraguai. As crianças pediram para comprar sorvete em uma venda próxima. Poucos minutos depois, o menino voltou sozinho, dizendo que “um moço levou a prima”.

O vendedor de sorvete relatou ter visto a menina caminhando, visivelmente tensa, ao lado de um homem que a chamou pelo nome e teria oferecido uma cesta de alimentos. Posteriormente, um amigo de Thaís, Thiago, então com 11 anos, também a viu de mãos dadas com o suspeito. Ele contou que perguntou ao homem para onde estava levando a menina e ouviu como resposta que ela “já voltava”, mas percebeu que Thaís nem olhou para ele, “como se estivesse paralisada”. A mãe acredita que o criminoso tenha a ameaçado com uma arma.

Segundo relatos colhidos pela família, o homem passou horas observando a menina à distância, escondido atrás de uma árvore.

“Meus filhos não precisavam de nada de estranhos. Quando cheguei e vi minha cunhada chorando, as pessoas com cópias da foto da Thaís nas mãos, não consegui acreditar. Desde então, minha vida nunca mais foi a mesma”, relembra Elisabete.

Foto: Arquivo pessoal

Thaís usava uma camisa azul, calça jeans e chinelos rosa no dia do rapto. Ela tinha 1,30 metro de altura, cabelos pretos, olhos castanhos escuros, uma cicatriz no pulso esquerdo e em um dos joelhos, além de espaçamento entre os dentes frontais.

O caso foi registrado na 34ª DP (Bangu) ainda no mesmo dia, mas as buscas não tiveram resultado. “Muita gente que eu nunca tinha visto andava pelo bairro com uma foto da minha filha. Fizemos o boletim de ocorrência, mas pouco foi feito depois disso. Preciso saber o que houve com a minha filha, de qualquer forma”, desabafa a mãe.

Um dos principais suspeitos foi Fernando Marinho de Melo, ex-oficial da Marinha Mercante, investigado por outros desaparecimentos de meninas, mas acabou sendo solto por falta de provas.

Retrato falado do suspeito de sequestrar Thaís de Lima Barros em uma feira livre na Vila Kennedy, em 2002 — Foto: Arquivo pessoal

Elisabete acredita que Thaís possa ter sido levada para fora do país. “Acho que ela foi tirada do Brasil, porque chamava atenção, era muito bonita. Eu só quero saber a verdade, mesmo que ela não esteja mais viva”, diz. Se estiver viva, Thaís teria hoje 32 anos. “Enquanto não souber o que aconteceu com a minha filha, não desisto.”

No Estado do Rio de Janeiro, os sequestros aparecem como a segunda causa mais comum de desaparecimento de crianças e adolescentes, correspondendo a 16,88% do total de 638 casos ainda sem solução, segundo dados do SOS Crianças Desaparecidas, programa da Fundação da Infância e Adolescência (FIA). A principal causa é a fuga do lar, com 59,46%, enquanto as crianças perdidas ocupam a terceira posição, com 8,68%.

Reportagem de Raphaela Ortega