O uso de ferramentas de inteligência artificial no mercado financeiro brasileiro tem ganhado ritmo acelerado, impulsionado por investimentos recordes em tecnologia e pelo crescente interesse do Banco Central no tema. Embora ainda não haja previsão de normas específicas no curto prazo, o debate sobre riscos, governança e oportunidades já ocupa espaço central entre bancos, especialistas e reguladores.
Levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em parceria com a Deloitte, indica que as instituições financeiras brasileiras devem investir R$ 47,8 bilhões em tecnologia até o fim de 2025. Uma parcela relevante desses recursos será direcionada a soluções de inteligência artificial, big data e analytics. No cenário internacional, a tendência se repete: segundo a consultoria IMARC Group, o mercado global de IA aplicada a fintechs pode alcançar US$ 97,7 bilhões até 2033. As informações são do jornal O Estado de São Paulo.
Especialistas avaliam que, mesmo em um contexto de instabilidade financeira global — potencializada pelo uso crescente de algoritmos —, o Brasil parte de uma posição relativamente privilegiada. O país reúne um dos sistemas financeiros mais digitalizados e regulados do mundo, com destaque para a infraestrutura de pagamentos instantâneos, o avanço do Open Finance e a atuação de um Banco Central considerado tecnicamente robusto.
Nesse contexto, iniciativas colaborativas ganham força. Um exemplo é o Plano Brasil Digital+, que evoluiu para uma associação multissetorial com o objetivo de posicionar o país como líder nas cadeias globais de valor digital até 2030. Liderado inicialmente pela Brasscom, o grupo reúne hoje cerca de 80 associados, entre eles CNI, Fiesp e Febraban, com a proposta de integrar esforços do governo, do setor privado e da sociedade em torno de um ambiente digital mais competitivo.






