Um aposentado de 97 anos do Rio de Janeiro teve a aposentadoria suspensa pela quarta vez após ser confundido com o irmão gêmeo, já falecido, e constar como morto nos registros do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O erro recorrente tem causado transtornos financeiros e emocionais ao idoso, que depende do benefício para custear despesas básicas e medicamentos.
O caso veio à tona em reportagem exibida pelo RJ1, da TV Globo. Segundo a família, embora Walter Rodrigues de Almeida e o irmão Waldir compartilhassem dados como data de nascimento e nome dos pais, cada um possui CPF próprio, o que tornaria a confusão injustificável.
Benefício suspenso desde setembro
O último pagamento da aposentadoria de Walter foi feito em 5 de setembro do ano passado. Desde então, a família tenta, sem sucesso, regularizar a situação junto ao INSS. O idoso já compareceu três vezes a agências do órgão para provar que está vivo, sempre apresentando a documentação exigida.
Na tentativa mais recente, na última terça-feira (13), familiares acompanharam Walter até uma unidade do INSS em Ramos, na Zona Norte do Rio. No local, receberam a informação de que o pedido de reativação do benefício ainda está “em análise” e que seria necessário refazer o requerimento.
“Tenho o direito de receber”, diz aposentado
Cansado da situação, Walter relata indignação com a repetição do erro. “Estou há quatro meses sem receber e eu tenho o direito a receber. Sou aposentado, trabalhei mais de 30 anos. Não sei por que isso está acontecendo”, afirmou o idoso em entrevista ao RJ1.
Ele destaca que já cumpriu todas as exigências feitas pelo INSS e que, mesmo assim, o pagamento não foi restabelecido. A situação se agrava pela idade avançada e pela dependência do benefício para manter a própria subsistência.
Família denuncia falhas no sistema do INSS
A filha do aposentado, Elaine Almeida, afirma que o problema já ocorreu outras três vezes e que a justificativa apresentada pelo INSS é sempre a mesma: a morte do irmão gêmeo gera “suspeita de óbito” também para Walter. “Todos os documentos estão sendo levados, entregamos e eles falam que vão pagar. E não pagam”, desabafa.
Elaine questiona os critérios adotados pelo órgão. “O controle não é feito pelo CPF? Os números são diferentes. Meu pai volta do banco arrasado, e eu, como filha, não posso fazer nada além de ajudá-lo”, disse, relatando o impacto emocional da situação.
Dinheiro é essencial para despesas e remédios
Sem a aposentadoria, Walter enfrenta dificuldades para arcar com despesas do dia a dia, principalmente com medicamentos. “Eu tenho as minhas despesas, tenho 97 anos, moro com meu filho, mas preciso pagar as minhas contas. Já apresentei tudo o que pediram”, reforça.
A família teme que, mesmo após a regularização, o problema volte a se repetir, como já ocorreu em outras ocasiões, obrigando o idoso a passar novamente pelo constrangimento de provar que está vivo.
INSS reconhece erro e promete pagamento
Em nota, o INSS informou que reconhece o erro no registro, que o benefício já foi reativado e que os valores devidos devem ser pagos em até 20 dias. O órgão, no entanto, não detalhou quais medidas serão adotadas para evitar novas suspensões indevidas.
Enquanto aguarda a liberação do pagamento, a família cobra providências definitivas para que Walter Rodrigues de Almeida não volte a enfrentar a mesma situação pela quinta vez.






