O idoso João José da Silva, de 80 anos, morreu na tarde deste sábado (25) após ser atingido por uma bala perdida na comunidade Chácara do Céu, na Tijuca, Zona Norte do Rio. Conhecido carinhosamente na região como “Zé Badu”, o comerciante trabalhava em seu próprio bar quando foi baleado em meio a um intenso tiroteio. Ele chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Federal do Andaraí, mas não resistiu aos ferimentos.
O homicídio ocorre em meio a uma violenta disputa territorial entre facções criminosas rivais, que já castiga os moradores da Grande Tijuca há pelo menos quatro dias consecutivos.
Neta pulou janela sob fogo cruzado para socorrer o avô
Segundo relatos de familiares, o confronto armado se intensificou drasticamente por volta das 15h deste sábado, concentrando-se na localidade conhecida como Pedra. Os disparos constantes impediram que o socorro imediato fosse prestado de forma segura.
“Parecia uma guerra. Parecia, não, é uma guerra”, desabafou a nora da vítima, Núbia, em entrevista à TV Globo.
Um vizinho testemunhou o momento em que o idoso desabou no interior do estabelecimento e alertou a família. Diante do cerco de balas, uma das netas de João José correu sob fogo cruzado e pulou uma janela para alcançar o avô, que ainda estava consciente.
Pouco depois, um dos filhos conseguiu colocar o comerciante em um veículo e deslocar-se até a unidade de saúde, onde a morte foi confirmada.
Natural da Paraíba, “Zé Badu” morava há décadas no Rio de Janeiro e era descrito como uma liderança comunitária pacífica e muito respeitada. Ele deixa quatro filhos, 11 netos e uma legião de amigos na Zona Norte. “Meu sogro era conhecidíssimo nas redondezas, uma pessoa maravilhosa. Não tinha intriga com ninguém. Todo mundo passava e dava bom dia. Era muito querido”, lamentou a nora.
A Polícia Militar confirmou, por meio de nota oficial, que o tiroteio deste sábado foi motivado por um embate direto entre criminosos de grupos rivais que disputam pontos de venda de drogas na região. A corporação informou que o Batalhão da área (6º BPM) reforçou o policiamento nas vias de acesso às comunidades do entorno para tentar estabilizar a região. O caso será investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).








