A corrida para o Senado em 2026 começa a incorporar um novo elemento ao debate político: o Supremo Tribunal Federal (STF). Além de temas tradicionais como segurança, inflação e saúde, cresce entre partidos e pré-candidatos a defesa de medidas contra ministros da Corte, incluindo pedidos de impeachment.
Levantamentos apontam que parte do eleitorado passou a valorizar candidatos com posicionamentos críticos ao Judiciário. Diante disso, legendas vêm ajustando suas estratégias e incluindo o tema como ponto central de suas campanhas.
Um dos exemplos é o partido Novo, que estabeleceu como critério para seus candidatos ao Senado o compromisso com o impeachment de ministros do STF. Nomes já lançados pela sigla seguem essa linha, reforçando o discurso de enfrentamento ao que consideram excessos da Corte.
O movimento, no entanto, não se limita a um único partido. Em diferentes legendas, ao menos cinquenta pré-candidatos têm adotado críticas ao Supremo como principal bandeira. No PL, por exemplo, a escolha de nomes alinhados a esse posicionamento tem sido conduzida diretamente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
A estratégia também mira o futuro equilíbrio de forças no Congresso. Aliados apostam na formação de uma base robusta no Senado a partir de 2027, capaz de influenciar decisões internas e avançar com processos contra ministros do STF.
Esse cenário ocorre em meio a uma mudança na percepção pública sobre o Supremo. Pesquisas recentes indicam aumento da desconfiança em relação à instituição, que já foi vista como central na defesa da democracia, mas agora enfrenta maior questionamento por parte da população.
Episódios recentes, como o caso envolvendo o Banco Master, contribuíram para ampliar o desgaste da imagem da Corte. Investigações sobre relações entre empresários e autoridades geraram repercussão e passaram a ser exploradas no debate político.
Atualmente, há diversos pedidos de impeachment de ministros em tramitação no Senado, com destaque para ações contra Alexandre de Moraes. O tema também repercute no Executivo, que defende maior transparência diante das denúncias.
Especialistas alertam que, embora críticas façam parte do processo democrático, o uso recorrente do STF como foco central de campanhas pode deslocar o debate de questões estruturais do país. Ainda assim, a tendência é que o tema continue em evidência ao longo do período eleitoral.






