Uma histórica e dramática onda de incêndios florestais no sul da Europa já forçou a evacuação de mais de 270 mil pessoas na França e na Espanha. Impulsionadas por uma seca extrema, ventos de até 50 km/h e forte calor, as chamas avançam de forma descontrolada neste sábado (25). O desastre ameaça áreas residenciais densamente povoadas, complexos espaciais internacionais e a prestigiada indústria vinícola francesa. A União Europeia ativou uma força-tarefa aérea emergencial para tentar conter as frentes de fogo.
De acordo com dados de satélite do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (Effis), analisados pela AFP, 2026 já registra a segunda maior área queimada na história da União Europeia. Cientistas do grupo World Weather Attribution publicaram um estudo atestando que a crise climática — impulsionada pela queima de combustíveis fósseis — agravou drasticamente a vulnerabilidade do continente.
Espanha declara emergência diante do “pior incêndio da história” em Madri
O governo da Espanha decretou, pela primeira vez na história do país, estado de emergência nacional decorrente de incêndios florestais. Na região metropolitana de Madri, as chamas forçaram o deslocamento ou confinamento de 70 mil pessoas. A presidente regional, Isabel Díaz Ayuso, classificou o episódio como o pior incêndio já registrado na história daquela área.
- Risco de megaincêndio: O Corpo de Bombeiros atua intensamente para evitar a fusão do foco de Madri (6 mil hectares destruídos) com o da província vizinha de Castela e Leão (9 mil hectares afetados). Se as frentes convergirem, o controle se tornará impossível.
- Ameaça espacial: As chamas cortaram as instalações de monitoramento espacial de Robledo de Chavela (operação da Nasa) e de Cebreros (operação da Agência Espacial Europeia). Ambos os complexos tecnológicos precisaram ser totalmente esvaziados, gerando riscos temporários na comunicação de dados com sondas e robôs espaciais.
- Investigação criminal: A Guarda Civil espanhola prendeu uma pessoa suspeita de causar o foco criminoso em Castela e Leão. Uma segunda pessoa segue sob investigação oficial.
- Balanço anual: Mais de 130 mil hectares já viraram cinzas em território espanhol desde janeiro de 2026.
Indústria do vinho em Bordeaux sofre maior destruição em 50 anos
Na França, a situação é classificada pelo primeiro-ministro Sebastien Lecornu como um patamar de destruição inédito. Perto de 197 mil pessoas foram evacuadas no sudoeste do país, com o fogo consumindo 22 mil hectares na região vinícola de Bordeaux — o dobro da extensão territorial de Paris. Este já é considerado o incêndio mais devastador no país nos últimos 50 anos.
Os departamentos de Landes e Gironda concentram o pior cenário. A Gironda abriga os vinhedos mais famosos do planeta, gerando pânico sobre o colapso econômico dos produtores locais de vinho. Em pontos turísticos icônicos, como a península de Cap Ferret, milhares de moradores e veranistas precisaram fugir de barco pelo mar ou por estradas bloqueadas pela fumaça.
O ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, garantiu mobilização total das Forças Armadas para impedir que a fumaça e as labaredas atinjam o centro urbano de Bordeaux. O Corpo de Bombeiros de Paris enviou centenas de reforços à região, dias após uma tragédia local confirmar a morte de dois bombeiros que combatiam focos comerciais nos arredores do aeroporto de Bordeaux-Mérignac.
União Europeia envia frota aérea conjunta
Diante da calamidade generalizada, o Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia foi formalmente acionado. Uma frota internacional de aeronaves pesadas de combate ao fogo foi mobilizada pelos países vizinhos:
| País de Destino | Aeronaves Recebidas | Países Enviantes |
| França | 2 aviões Canadair, 2 Air Tractor e 2 helicópteros Black Hawk | Croácia, Portugal, República Tcheca e Eslováquia |
| Espanha | 4 aviões Canadair de lançamento de água | Itália e Grécia |
Os aviões são apoiados por dados de mapeamento geográfico digital emitidos em tempo real pelo sistema de satélites Copernicus da União Europeia. O chefe de governo espanhol, Pedro Sánchez, resumiu o panorama continental ao alertar que a Europa vive uma de suas “situações mais dramáticas” da história recente.








