A violência armada em áreas marcadas por confrontos no Rio de Janeiro passou a ser alvo de investigação do Ministério Público Federal devido aos impactos diretos sobre a vacinação infantil. A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão instaurou um inquérito civil público para apurar de que forma conflitos armados e operações policiais vêm comprometendo o direito à saúde e à imunização de crianças de 0 a 6 anos nesses territórios.
A apuração tem como base um estudo elaborado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, em parceria com a Redes da Maré, que analisou os efeitos da violência armada no acesso aos serviços de saúde na primeira infância. A instauração do inquérito foi determinada pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão adjunto, Julio Araujo.
Segundo o levantamento, realizado no território da Maré, em 2024 foram registradas 42 operações policiais que impactaram diretamente a rotina dos moradores por 43 dias. Nos dias em que unidades de saúde permaneceram totalmente fechadas em razão das ações policiais, a média de doses de vacinas aplicadas despencou para 20 por dia. Em períodos sem operações, a média foi de 187,3 doses diárias, o que representa uma redução de cerca de 90% na vacinação.
Mesmo quando os postos funcionaram parcialmente, a pesquisa aponta queda expressiva na imunização. O medo de circular pelo território, a dificuldade de deslocamento das famílias e o clima constante de insegurança afastaram responsáveis e crianças dos serviços de saúde. O estudo identifica um triplo impacto da violência armada: a interrupção do acesso contínuo à saúde, o aprofundamento de desigualdades estruturais e a ameaça ao direito a uma infância plena.






