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Irã acusa EUA de bombardeio e Trump promete retaliação

Conflito ocorre após ataques da Guarda Revolucionária na Jordânia e bombardeios conjuntos no Iraque.

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Reprodução

O governo do Irã acusou os Estados Unidos de terem lançado um bombardeio contra seu território nesta quarta-feira (29). A TV estatal iraniana afirmou que a cidade de Piranshahr, no noroeste do país, foi atingida, embora não tenha registro de feridos. Caso seja confirmado, este seria o primeiro ataque direto executado pelos EUA contra o território iraniano nesta semana. Até a última atualização desta reportagem, o governo norte-americano ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre o episódio em Piranshahr.

Em forte reação, o presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu dar uma “surra” em Teerã. A declaração foi feita para justificar uma retaliação a um “ataque surpresa” desferido contra uma base militar dos Estados Unidos no Oriente Médio. A acusação iraniana surge exatamente um dia após a Guarda Revolucionária do Irã lançar uma ofensiva surpresa contra bases norte-americanas localizadas na Jordânia, na noite de terça-feira. Essa investida rompeu um breve período de calmaria que durava alguns dias na região, embora o Exército dos EUA tenha informado que todos os mísseis lançados por Teerã foram interceptados com sucesso.

Como resposta aos eventos recentes, os Estados Unidos realizaram bombardeios conjuntos com a Arábia Saudita no Iraque, tendo como alvo um grupo aliado ao regime iraniano. A ofensiva resultou em pelo menos 20 mortes e deixou mais de 30 feridos, gerando forte repercussão imediata: Bagdá convocou uma reunião de urgência do seu gabinete de segurança, enquanto Teerã repudiou veementemente a ação militar. Questionado pela emissora Fox, o presidente Donald Trump afirmou que a investida contra os membros da Autoridade de Mobilização Popular iraquiana ocorreu em plena coordenação com o governo do Iraque.

O cenário de instabilidade traz à tona preocupações logísticas e estratégicas sobre o estoque de munição defensiva dos EUA. Até a última terça-feira, o conflito vivia uma pausa temporária após duas semanas de trocas diárias de ataques durante o mês de julho. Reportagem do jornal “New York Times” apontou que a trégua inicial aconteceu porque o governo Trump avaliou um baixo estoque de mísseis do sistema Patriot, fundamentais para interceptar mísseis balísticos iranianos. O receio emergiu após o Pentágono apresentar um inventário detalhando a redução de interceptadores Patriot e outros sistemas antiaéreos.

Apesar das revelações da imprensa e de informações do site Axios indicarem que o comandante Brad Cooper recomendou a pausa para preservar os suprimentos, Trump negou o déficit na segunda-feira (27), afirmando que os EUA possuem grande volume de munição de diferentes tipos. A vulnerabilidade das defesas americanas já havia sido colocada à prova no último dia 18, quando um ataque iraniano a uma base na Jordânia matou três militares e feriu outros, falhas que, segundo o “NYT”, deixaram as tropas expostas.