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Julgamento da morte de Maradona tem relato de “agonia prolongada”

A afirmação de Carlos Casinelli foi feita durante o julgamento da morte do ídolo argentino, nesta quinta-feira (7)

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Reprodução

O ex-jogador Diego Maradona sofreu por “cerca de 12 horas” antes de morrer, segundo o médico que realizou a autópsia. A afirmação de Carlos Casinelli foi feita durante o julgamento da morte do ídolo argentino, nesta quinta-feira (7). Ainda foram exibidas imagens do procedimento médico. 

O tempo em que Maradona permaneceu em sofrimento antes de morrer se tornou um dos principais pontos de disputa no julgamento que apura a conduta da equipe médica responsável por acompanhá-lo nas semanas anteriores à morte do ex-jogador, em 2020. O doutor Cassineli ainda explicou alguns pontos encontrados no corpo do camisa 10, que indicam um sofrimento prolongado. 

“(No corpo de Maradona, foram encontrados) Derrame pleural bilateral, anasarca, 350 cm³ de urina na bexiga, necrose tubular aguda, todos indicadores de hipóxia. Esses são indicativos de uma agonia prolongada, não repentina”. 

Na terça-feira (5), o médico legista Federico Corasaniti, outro responsável pela autópsia de Diego Maradona, afirmou que os sinais identificados no coração do ex-jogador indicavam uma “agonia prolongada” antes da morte. 

Para os promotores, o período de sofrimento antes da morte pode indicar negligência por parte dos médicos e enfermeiros denunciados, contribuindo para o desfecho fatal. A defesa contesta essa versão, questiona a tese de agonia prolongada e nega qualquer responsabilidade dos acusados. 

O depoimento do legista Alejandro Casinelli também foi marcado pela exibição de fotos e vídeos da autópsia do ídolo argentino. Durante a apresentação das imagens, Gianinna Maradona, uma das filhas do ex-jogador, deixou a sala de audiência. 

Ao prestar depoimento, Casinelli destacou o quadro avançado de retenção de líquidos no corpo de Maradona, aspecto já mencionado por outros especialistas ouvidos no processo. Segundo ele, o ex-jogador apresentava cerca de três litros de líquido acumulados no abdômen, condição que, de acordo com o médico, se desenvolveu ao longo de vários dias. 

Maradona morreu em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, vítima de edema pulmonar e parada cardiorrespiratória, enquanto se recuperava de uma neurocirurgia considerada sem complicações. 

Ao todo, sete profissionais de saúde respondem por homicídio doloso — quando há consciência de que determinadas ações podem provocar a morte. As penas podem chegar a 25 anos de prisão. Um oitavo acusado será julgado separadamente por júri popular. 

Esta é a segunda tentativa da Justiça argentina de esclarecer as circunstâncias da morte de Maradona. O primeiro julgamento foi anulado em 2025, após a revelação de que um dos juízes participava da produção de um documentário clandestino sobre o caso.