A Justiça do Rio de Janeiro determinou, nesta sexta-feira (13), a soltura do vereador Salvino Oliveira (PSD), preso durante uma operação da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro que investiga a atuação do Comando Vermelho. O parlamentar estava detido desde quarta-feira (11) no presídio de Complexo Penitenciário de Benfica, na Zona Norte da capital.
A decisão foi assinada pelo desembargador Marcus Henrique Basílio, após análise de um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa. Apesar de autorizar a liberdade, o magistrado determinou medidas cautelares, como a proibição de deixar o estado por mais de 15 dias sem autorização judicial e de manter contato com outros investigados no caso.
Na decisão, o desembargador avaliou que os elementos apresentados até o momento pela investigação não são suficientes para sustentar a manutenção da prisão do vereador. Um dos pontos citados foi uma conversa entre terceiros, registrada há mais de um ano, na qual o nome do parlamentar é mencionado.
A prisão de Salvino ocorreu durante uma operação policial que cumpriu 13 mandados de prisão contra suspeitos de envolvimento com a organização criminosa. Até a última atualização da ação, sete pessoas haviam sido presas.
Novos detalhes ampliam as suspeitas de envolvimento do vereador
Apesar da decisão do desembargador alegar que não há elementos suficientes para manter a prisão, a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro divulgou hoje, uma nova nota com informações sobre a operação. Segundo a corporação, a investigação começou em 2024 e apura atividades ilícitas ligadas a empresas de internet instaladas no Complexo da Penha, que seriam controladas por Edgar Alves de Andrade, o Doca, apontado como integrante do Comando Vermelho.
De acordo com os investigadores, análises de dados telemáticos identificaram conversas envolvendo o vereador e pessoas ligadas à facção. A polícia também apontou movimentações financeiras consideradas suspeitas nas contas do parlamentar, incluindo mais de R$ 100 mil em depósitos em dinheiro vivo no período de quatro meses.
A apuração também envolve pessoas próximas ao vereador. Empresas ligadas a um assessor passaram a ser investigadas, e a esposa dele teria realizado mais de 20 saques em espécie que somam cerca de R$ 2,49 milhões em sete meses.
Segundo a Polícia Civil, a prisão temporária teve como objetivo preservar provas e evitar interferência nas investigações, que fazem parte de uma apuração mais ampla sobre a atuação do Comando Vermelho e possíveis conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Repercursão
A prisão do vereador provocou repercussão política. O governador Cláudio Castro afirmou nas redes sociais que Salvino seria o “braço direito do Comando Vermelho dentro da prefeitura”. Já o prefeito Eduardo Paes declarou que, caso as suspeitas sejam confirmadas, defenderá a punição do parlamentar.
A defesa de Salvino Oliveira nega qualquer ligação com o traficante Doca ou com a organização criminosa e afirma que o vereador é alvo de uma disputa política. A Câmara Municipal do Rio de Janeiro informou que acompanha o caso e se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.






