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Justiça do RJ decreta prisão de filha do bicheiro Piruinha por lavagem de dinheiro

Monalliza Neves Escafura é suspeita de lavar dinheiro do jogo investindo em carros e imóveis de luxo.

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reprodução

A Justiça do Rio de Janeiro decretou a prisão preventiva de Monalliza Neves Escafura, filha do bicheiro José Caruzzo Escafura, conhecido como Piruinha, morto em 2025.

Monalliza está presa desde maio, quando foi detida em casa por agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). Segundo as investigações, ela teria assumido o comando da estrutura armada da organização ligada ao jogo do bicho após a morte do pai.

Na manhã desta quinta-feira (6), policiais da Polinter cumpriram o novo mandado de prisão no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, onde Monalliza está presa. Desta vez, ela é investigada por suspeita de lavar dinheiro proveniente dos pontos de jogo do bicho explorados pela família em nove bairros da Zona Norte da capital.

Até janeiro de 2025, Piruinha era o mais velho membro vivo da antiga cúpula do jogo do bicho do Rio de Janeiro – como mostra a série documental “Vale o Escrito”, do Globoplay, que expõe o submundo da contravenção no RJ.

Com a morte de Piruinha, Monalliza Neves Escafura passou a ser apontada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Gaeco/MPRJ), responsável pelas investigações, como a responsável por assumir o controle dos negócios da família.

Além dela, outros 12 réus foram alvo de mandados de busca e deverão se apresentar à Justiça. As ordens judiciais foram expedidas pelo juiz Alexandre Abrahão Teixeira, da 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do Rio.

De acordo com o Ministério Público, integrantes da quadrilha recolhiam o dinheiro das apostas nos pontos de jogo do bicho controlados pela família Escafura e entregavam os valores diretamente a Monalliza. As investigações apontam que o esquema de lavagem de dinheiro por meio de pessoas e empresas de fachada começou em 2020, cinco anos antes da morte de Piruinha. O período analisado pelo Gaeco vai de 2020 a 2024.

Ainda segundo a investigação, a família mantinha o controle de pontos de jogo do bicho em nove bairros da Zona Norte do Rio: Madureira, Cascadura, Abolição, Piedade, Inhaúma, Maria da Graça, Pilares, Engenho de Dentro e Todos os Santos.

Com os recursos obtidos na atividade criminosa, teriam sido adquiridos ao menos quatro carros de luxo em leilões judiciais. Os veículos eram registrados em nome de oficinas mecânicas ou de uma terceira pessoa, mas, segundo o MP, eram utilizados por Monalliza e, antes de morrer, por Piruinha. A investigação também aponta que a família comprou um imóvel em um condomínio de Mangaratiba, na Costa Verde do estado.

Para o Ministério Público, Monalliza exercia tanto a liderança intelectual quanto o comando operacional da organização criminosa.

Desde que Haylton Escafura, irmão mais velho de Monalliza e principal postulante a sucessor de Piruinha, foi executado a tiros em junho de 2017 dentro do Hotel Transamérica, também na Barra da Tijuca — crime até hoje não elucidado pela Polícia Civil —, ela é apontada pelo MP como responsável por estar à frente dos negócios do pai.