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Justiça italiana divulga fundamentos para anular extradição de Carla Zambelli

Corte Suprema de Cassação apontou acúmulo de funções por Alexandre de Moraes no processo

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reprodução

A Corte Suprema de Cassação da Itália divulgou, nesta sexta-feira, os motivos que levaram à decisão de anular, em 22 de maio, a extradição da ex-deputada Carla Zambelli ao Brasil.

A determinação italiana diz respeito ao pedido de extradição feito pelo Brasil contra a ex-parlamentar, conduzido com base no processo em que Zambelli foi condenada por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão em regime fechado por contratar o hacker Walter Delgatti para invadir os sistemas do Judiciário e incluir documentos falsos.

Um deles seria um mandado de prisão contra Moraes assinado por ele mesmo, e uma ordem para quebrar o sigilo bancário do ministro.

Para a PGR, a invasão tinha como objetivo desacreditar o Judiciário, responsável pelo processo eleitoral, e gerar um ambiente favorável a uma ruptura institucional para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder (PL).

Na decisão, os magistrados da Itália consideraram que houve acúmulo de funções por parte de Alexandre de Moraes, ministro do STF. Segundo eles, o ministro participou de diferentes fases do processo, o que, na avaliação da corte, contraria os princípios de imparcialidade e independência judicial.

A decisão da Suprema Corte de Cassações — a última instância da Justiça italiana — revogou a sentença anterior, da Corte de Apelações da Itália. Com isso, Zambelli foi solta no fim do mês passado.