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Justiça italiana manda soltar Carla Zambelli e derruba autorização de extradição para o Brasil

Decisão da Corte de Cassação representa reviravolta no caso da ex-deputada, que estava presa em Roma aguardando definição sobre retorno ao país

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Foto: Reprodução

A ex-deputada federal Carla Zambelli foi libertada nesta sexta-feira (22/05) após a Justiça italiana revogar a autorização que permitia sua extradição para o Brasil. A decisão foi tomada pela Corte de Cassação da Itália, instância máxima do Judiciário italiano equivalente ao Supremo Tribunal Federal brasileiro.

Segundo a defesa da ex-parlamentar, a determinação incluiu sua soltura imediata. O advogado Fábio Pagnozzi informou que Zambelli já deixou a penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma, onde estava presa preventivamente enquanto aguardava o andamento do processo de extradição.

Os advogados afirmaram que ainda analisam os efeitos jurídicos da decisão antes de definir os próximos passos da ex-deputada, incluindo a possibilidade de permanência na Itália ou deslocamento para outro país. Apesar da soltura, o nome de Zambelli continua incluído na lista de difusão vermelha da Interpol.

De acordo com a defesa, a Corte italiana entendeu que as condenações impostas à ex-deputada no Brasil teriam sido baseadas em provas consideradas frágeis e em penas avaliadas como desproporcionais. Entre os casos citados está o processo envolvendo o hacker Walter Delgatti.

A decisão ocorre poucos dias após o ministro Alexandre de Moraes determinar que o Ministério da Justiça e o Itamaraty intensificassem as medidas para acelerar a extradição da ex-parlamentar.

Os pedidos apresentados pelo Brasil estavam relacionados às condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal. Em um dos processos, Zambelli foi condenada a dez anos de prisão por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Outro pedido tratava do processo por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.

Com cidadania italiana, Carla Zambelli deixou o Brasil em maio do ano passado e passou pelos Estados Unidos antes de seguir para a Itália. Meses depois, foi presa em Roma e declarou que pretendia responder aos processos em território italiano.

No fim de 2025, a Câmara dos Deputados rejeitou a cassação do mandato da ex-parlamentar. Posteriormente, o STF anulou a decisão da Câmara e determinou diretamente a perda do mandato em razão das condenações judiciais.

A revogação da extradição cria um novo cenário jurídico e político para o caso, que vinha sendo acompanhado de perto por aliados e adversários da ex-deputada bolsonarista.