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Justiça mantém prisão de Daniel Vorcaro e o envia a presídio em Guarulhos

Banqueiro do Banco Master e o cunhado, Fabiano Zettel, serão levados ao CDP 2 após audiência de custódia.

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reprodução

A Justiça Federal em São Paulo manteve nesta quarta-feira (403) a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, após audiência de custódia realizada na capital paulista. O cunhado dele, o empresário Fabiano Zettel, também teve a prisão mantida.

Os dois foram encaminhados ao Centro de Detenção Provisória (CDP) 2 de Guarulhos, na Grande São Paulo, e não retornaram à Superintendência da Polícia Federal, onde estavam desde que foram presos pela manhã.

As detenções ocorreram na terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, invasão de dispositivos informáticos e um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), atual relator do caso.

Ameaças e obstrução

Segundo as investigações, mensagens encontradas no celular de Vorcaro revelaram a existência de um grupo de WhatsApp chamado “A Turma”, no qual eram discutidas ações de perseguição, intimidação e até violência contra adversários, incluindo jornalistas.

De acordo com revelação do colunista Lauro Jardim, do O Globo e da CBN, o banqueiro teria autorizado simular um assalto para “quebrar os dentes” do jornalista.

A Polícia Federal também aponta indícios de obstrução de Justiça, com acesso indevido a sistemas da própria PF, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais, como o FBI e a Interpol.

Outro ponto investigado é o suposto pagamento a portais de notícias para remover conteúdos negativos e publicar material favorável ao empresário e ao banco. Além disso, a decisão judicial menciona risco de fuga, já que Vorcaro possui jatos particulares e patrimônio no exterior.

A Justiça determinou ainda o afastamento de cargos públicos e o bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos ligados ao grupo investigado e preservar valores que possam ter relação com os crimes apurados.

Defesa nega acusações
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que ele “sempre esteve à disposição das autoridades” e negou qualquer tentativa de obstrução. Segundo os advogados, as mensagens atribuídas ao empresário foram “tiradas de contexto” e ele jamais teve intenção de intimidar jornalistas.

Fabiano Zettel também declarou, por meio da defesa, que está à disposição da Justiça.

Vorcaro já havia sido preso em novembro do ano passado, mas teve a prisão convertida em medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.