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Justiça mantém prisão de grupo que espancou capivara no Rio; animal corre risco de perder a visão

Ataque de “extrema crueldade” na Ilha do Governador foi motivado por tentativa de captura para consumo.

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A Justiça do Rio de Janeiro converteu em preventiva a prisão dos seis homens acusados de espancar uma capivara na orla do Quebra Coco, na Ilha do Governador. A decisão, proferida nesta segunda-feira (23), baseou-se na “extrema crueldade” das agressões, flagradas por câmeras de segurança no último sábado (21). Dois adolescentes envolvidos no crime também tiveram a internação provisória determinada pela Vara da Infância e da Juventude.

Estado de saúde inspira cuidados

Internado na Clínica de Recuperação de Animais Silvestres da Universidade Estácio de Sá — a única especializada no estado —, o animal, um macho adulto de 64 quilos, apresenta sinais sutis de melhora, mas o quadro clínico ainda é crítico. De acordo com o coordenador da unidade, o veterinário Jefferson Pires, há uma grave suspeita de perda de visão definitiva em um dos olhos.

“O olho foi a única coisa que não evoluiu bem. Ela chegou com sangue e um edema muito grande. Pode ser que já esteja cega, mas tentaremos reverter”, explicou Pires, que classificou o caso como uma “atrocidade” sem precedentes em seus 20 anos de carreira. O animal sofreu edema cerebral e múltiplos ferimentos, e agora permanece em um recinto adaptado com folhagens para reduzir a luminosidade e o estresse.

Motivação e reincidência

Em depoimento à Polícia Civil, um dos presos, Isaías Melquiades, confessou que o grupo estava em quatro motocicletas quando avistou a capivara e decidiu capturá-la para consumo próprio. O animal foi golpeado repetidamente com ripas e galhos de madeira, e as agressões só cessaram após a intervenção de um morador local.

As investigações revelaram ainda que o grupo pode ser reincidente: um dos acusados, Wagner da Silva Bernardo, foi reconhecido por testemunhas como participante de um ataque semelhante a outra capivara na semana anterior.

Implicações legais e multas

Os seis adultos responderão pelos crimes de:

  • Maus-tratos a animais;
  • Associação criminosa;
  • Corrupção de menores.

Além das sanções penais, o Ibama aplicou uma multa administrativa de R$ 20 mil para cada envolvido, baseada no novo decreto federal que endureceu as punições após o caso do cão Orelha, em Florianópolis.

Centro de reabilitação sob pressão

A clínica onde a capivara se recupera atende cerca de 6 mil animais silvestres por ano e opera atualmente com 100 internos, incluindo uma preguiça com fratura e um gavião baleado. “Nunca observei um quadro de tamanho brutalidade”, reforçou Jefferson Pires, destacando o impacto do crime na rotina da unidade.