O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (16) que o valor do salário mínimo no Brasil segue distante do necessário para garantir condições dignas à população. Reajustado para R$ 1.621 em 2026, o piso nacional foi classificado pelo chefe do Executivo como “muito baixo” durante discurso em evento oficial em Brasília.
As declarações ocorreram durante a cerimônia de lançamento de uma medalha comemorativa pelos 90 anos do salário mínimo, realizada na Casa da Moeda.
Apelo por mobilização em defesa do salário mínimo
Em sua fala, Lula defendeu que trabalhadores e governo atuem de forma conjunta para pressionar por aumentos reais do salário mínimo. Para ele, a valorização do piso deve ser encarada como um compromisso coletivo do Estado e da sociedade.
“O salário mínimo é muito pouco. O que eu estou fazendo apologia aqui é da criação da ideia desse país ter um salário mínimo. Todos nós, governo e vocês, temos a obrigação de brigar para que ele melhore”, afirmou o presidente.
Piso atende trabalhadores menos organizados e aposentados
Segundo Lula, o salário mínimo tem papel central especialmente para trabalhadores que não contam com forte organização sindical e para aposentados, já que outras categorias, em geral, recebem acima do piso nacional.
O presidente argumentou que a existência de um salário mínimo forte é essencial para reduzir desigualdades e assegurar uma base mínima de proteção social aos brasileiros de menor renda.
Crescimento econômico deve chegar ao trabalhador
Lula também relacionou a valorização do salário mínimo ao desempenho da economia. Para ele, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) só é possível graças ao esforço da população trabalhadora e, por isso, os ganhos devem ser compartilhados.
“O PIB é o resultado do crescimento da economia produzido pelo povo brasileiro. Então é justo que você, quando cresce o PIB, cresça o PIB do trabalhador. É justo que você reparta com os trabalhadores, que são os responsáveis pelo crescimento do PIB”, disse.
Defesa da CLT e críticas ao rótulo de atraso
Durante o evento, o presidente saiu em defesa da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), criada na mesma década do salário mínimo. Segundo ele, a legislação é frequentemente classificada como ultrapassada, inclusive por setores da esquerda, mas segue sendo fundamental para garantir direitos trabalhistas.
Lula afirmou que a proteção oferecida pela CLT continua atual diante das transformações no mercado de trabalho e das tentativas de flexibilização de direitos.
Evento celebra ideia histórica do salário mínimo
A cerimônia contou com a presença de ministros como Esther Dweck (Gestão e Inovação), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Luiz Marinho (Trabalho e Emprego), além do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
De acordo com Lula, o objetivo do ato não foi exaltar o valor atual do salário mínimo, mas sim a ideia histórica de sua criação, em 1936, durante o governo de Getúlio Vargas, como instrumento para garantir direitos básicos aos trabalhadores.
Comparação com Getúlio Vargas
O presidente voltou a se comparar a Getúlio Vargas ao afirmar que ambos foram líderes que investiram de forma consistente em políticas voltadas à classe trabalhadora ao longo de seus governos.
“Nós não estávamos fazendo um ato em apologia ao valor do salário mínimo, porque o valor do salário mínimo é muito baixo no Brasil. Estamos fazendo apologia à ideia de um presidente da República que, em 1936, criou a possibilidade de se estabelecer um salário que garantisse aos trabalhadores os direitos elementares que todos temos direito”, concluiu Lula.






