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Lula reage a decisão dos EUA sobre PCC e CV e acusa Bolsonaro de incentivar interferência no Brasil

Governo defende soberania nacional após facções serem classificadas como terroristas pelos Estados Unidos; Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro participaram de articulações em Washington

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Foto: Ricardo Stuckert/PR

O governo brasileiro reagiu nesta sexta-feira (29/05) à decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em nota oficial, o Palácio do Planalto defendeu a soberania nacional e criticou o que chamou de tentativa de interferência estrangeira em assuntos internos do Brasil.

Segundo o governo, as facções criminosas praticam crimes com objetivo de lucro e não podem ser confundidas com organizações terroristas de caráter ideológico, político ou religioso.

“A soberania nacional é inegociável. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança”, diz trecho da nota.

O texto também faz críticas diretas à família Bolsonaro e acusa aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro de incentivarem ações externas contra o Brasil. Sem citar nomes inicialmente, o governo classificou como “deplorável” a atuação de integrantes da família Bolsonaro nos Estados Unidos em defesa de medidas consideradas intervencionistas.

 

Lula diz que Flávio é um traidor 

Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom e chamou o senador Flávio Bolsonaro de “traidor” durante um evento em Sergipe. O petista criticou a viagem do parlamentar aos Estados Unidos para se reunir com o presidente Donald Trump.

“Ele não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria e ir aos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”, afirmou Lula.

Flávio Bolsonaro esteve nesta semana na Casa Branca acompanhado do irmão, Eduardo Bolsonaro. Após o encontro, Flávio admitiu ter pedido ao governo norte-americano que classificasse o PCC e o CV como grupos terroristas.

A medida foi anunciada pela Casa Branca dias depois da reunião e provocou reação imediata do governo brasileiro. O Planalto afirmou que qualquer cooperação internacional no combate ao crime organizado é bem-vinda, mas rejeitou medidas unilaterais que possam afetar a soberania do país.

 

Impactos ao Brasil 

Em nota, o governo também alertou para possíveis impactos econômicos e institucionais da decisão dos EUA. Segundo o texto, ações unilaterais podem prejudicar o compartilhamento de informações entre autoridades, afetar o sistema financeiro brasileiro e até atingir ferramentas nacionais, como o PIX.

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro afirmou que novas ações dos Estados Unidos contra o Brasil ainda podem acontecer. Em entrevista à rede Comunica Brasil, ele disse que o encontro com autoridades americanas teve um “resultado muito satisfatório” e afirmou que “não vai parar por aí”.

A discussão também repercutiu entre aliados do presidente Donald Trump. O advogado Martín De Luca, ligado à Trump Media, afirmou nas redes sociais que a classificação das facções não representa ameaça à soberania brasileira, mas sim uma forma de ampliar mecanismos internacionais de combate ao crime organizado.

Segundo ele, a medida fortalece ações contra lavagem de dinheiro, tráfico de armas e financiamento das facções criminosas fora do Brasil.

Apesar das divergências, o governo Lula reforçou que mantém disposição para cooperação internacional no combate ao crime organizado, desde que sejam respeitadas as instituições e a autonomia brasileira.