O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começa nesta quinta-feira (5) uma rodada de conversas com economistas e empresários para discutir os rumos da política fiscal. Segundo informações da Folha de S. Paulo, a iniciativa ocorre em meio à cobrança de setores econômicos por medidas para conter o avanço da dívida pública e à instabilidade nos mercados após a eleição.
A primeira reunião será com integrantes do governo e nomes próximos ao presidente. Estão previstos o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Também são esperados a ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), cotado para comandar a Fazenda no próximo mandato, não participa do encontro.
Governo amplia diálogo sobre a economia
Nas próximas semanas, Lula pretende ouvir economistas de diferentes correntes, incluindo ortodoxos e heterodoxos. De acordo com a Folha, a sugestão de ampliar as consultas partiu do ministro da Fazenda, Dario Durigan.
“É mais um esforço da gente dividir o cenário, os diagnósticos, e eu vou levar certamente as propostas, as ideias em termos gerais do que a gente deve fazer nas próximas semanas”, afirmou o ministro a jornalistas nesta quinta.
O governo também deve organizar reuniões com empresários que buscaram interlocução. A lista inclui banqueiros, representantes do setor produtivo e da construção civil.
As conversas antecedem o pronunciamento previsto para domingo (8). Segundo o jornal, o discurso preparado prevê que Lula manifeste preocupação com os juros e a dívida pública, reafirme o compromisso com a estabilidade econômica e defenda o cumprimento sustentável das promessas de campanha.
Pausa nos cortes de juros amplia atenção às contas públicas
Na quarta-feira (4), o Banco Central manteve a Selic em 13,75% ao ano, interrompendo uma sequência de cinco reduções consecutivas.
O Comitê de Política Monetária (Copom) citou o aumento das incertezas, a deterioração das expectativas de inflação e a desaceleração da atividade econômica para justificar a decisão. O colegiado não indicou quando poderá voltar a reduzir a taxa.
A definição da política fiscal ocorre após dias de forte oscilação dos ativos brasileiros. Na semana passada, o Ibovespa acumulou perda de cerca de 18%, enquanto o dólar subiu 9,18%.
Na terça-feira (3), a Bolsa encerrou o sexto pregão seguido de queda e atingiu o menor nível de fechamento desde janeiro. Houve recuperação de 1,20% na quarta-feira, quando o dólar recuou para R$ 5,45.
Durigan descarta discussão sobre tabelamento dos juros
Parte da tensão também esteve relacionada à repercussão de uma proposta do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, para reorganizar a relação entre as políticas fiscal e monetária.
A ideia prevê um conselho para estabelecer metas conjuntas e uma redução gradual da Selic até 7,5% ao ano. Durigan afirmou à Folha, porém, que a proposta de tabelamento dos juros não está em discussão no governo.








