Na reta final de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda terá compromissos importantes na agenda internacional antes de concluir seu terceiro mandato, em 31 de dezembro. Entre os principais desafios estão a participação do Brasil em fóruns políticos e econômicos, a continuidade da agenda ambiental e a condução das relações diplomáticas com os Estados Unidos e os países vizinhos.
Em novembro, o Brasil encerra sua presidência da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP, após ter sediado a 30ª edição do evento em Belém, no Pará. A presidência será transferida à Turquia, que receberá a COP31 na cidade de Antália. A Austrália, por sua vez, ficará responsável por conduzir as negociações climáticas.
Entre novembro e dezembro, o governo brasileiro também terá compromissos em importantes fóruns internacionais. A agenda inclui encontros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), do G20, grupo que reúne as principais economias do mundo, e a Cúpula do Mercosul, bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia.
Os compromissos ocorrem em um momento de transição política no país, com a preparação para o quarto mandato de Lula, que terá início em janeiro de 2027. A expectativa é de que a política externa continue voltada à ampliação da presença brasileira no cenário internacional, ao fortalecimento dos organismos multilaterais e à busca por parcerias econômicas e políticas.
Relações com os Estados Unidos e países vizinhos
A relação com os Estados Unidos deverá estar entre os principais desafios diplomáticos do próximo governo. O cenário político americano, as decisões da administração do presidente Donald Trump e as eleições legislativas previstas para novembro são fatores que podem influenciar as relações entre Brasília e Washington nos próximos anos.
Ao mesmo tempo, o governo brasileiro terá de administrar as relações com países vizinhos cujos governos são liderados por representantes da direita e da extrema direita, alguns deles alinhados politicamente a Trump. Nesse contexto, a manutenção do diálogo regional será importante para a articulação de interesses comerciais, econômicos e diplomáticos.
Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos
O cenário político ganhou um novo elemento após a eleição presidencial brasileira. Derrotado por Lula no segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil, passou pela Argentina e seguiu para os Estados Unidos.
Já em território americano, o parlamentar agradeceu publicamente a Trump e ao presidente argentino, Javier Milei. Flávio também contestou o resultado da eleição, sem apresentar provas que sustentassem suas alegações.
A Justiça Eleitoral brasileira confirmou a vitória de Lula e declarou que o processo de votação ocorreu com segurança e transparência.
A movimentação do senador acrescenta um componente político ao cenário diplomático, em meio às diferenças ideológicas entre o governo brasileiro e lideranças internacionais alinhadas ao bolsonarismo.
Diante desse quadro, Lula terá o desafio de preservar os canais diplomáticos, ampliar a participação do Brasil nas decisões internacionais e defender os interesses nacionais em um ambiente marcado por disputas políticas e geopolíticas.
Eleições americanas entram no radar de Brasília
As eleições legislativas dos Estados Unidos, previstas para a próxima semana, também estão no radar do governo brasileiro. A disputa poderá alterar a composição do Congresso americano e influenciar a capacidade de articulação política de Donald Trump.
O resultado será um dos fatores a serem considerados pela diplomacia brasileira na definição de estratégias para o relacionamento com Washington a partir de 2027.
A condução dessa relação exigirá equilíbrio entre a defesa dos interesses econômicos brasileiros, a preservação da soberania nacional e a manutenção do diálogo com o governo americano, mesmo diante de eventuais divergências políticas.








