O Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói dá o pontapé inicial às celebrações de suas três décadas de história com um marco administrativo: pela primeira vez, o ícone projetado por Oscar Niemeyer terá sua programação financiada via Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). O anúncio acompanha a abertura de quatro exposições simultâneas que reforçam o museu como palco de debates urgentes da contemporaneidade.
O Universo Drag em Foco
A grande aposta da temporada é a coletiva “A coisa dRag”, que abre ao público neste sábado. Com curadoria de Sandro Ka, a mostra reúne 35 artistas brasileiros que utilizam a estética drag não apenas como performance, mas como gesto político e linguagem visual.
A exposição é fruto de um mapeamento iniciado em 2024 e ocupa o museu até 7 de junho. “Esperamos que o público encontre não apenas provocação, mas também afeto e celebração”, afirma o curador.
Experiência Sonora e Protagonismo Feminino
Além da ocupação drag, o calendário de estreias inclui:
- Felippe Moraes: Com “Composição Aleatória”, o artista transforma a área externa do museu em um campo interativo de esculturas sonoras acionadas pelo movimento dos visitantes.
- Ian Cheibub: O fotógrafo niteroiense apresenta sua primeira individual, explorando conexões entre espiritualidade e simbolismo.
- Um Teto (Estreia dia 28/03): Coletiva feminina que reflete sobre o abrigo e os limites materiais na produção artística de mulheres.
Rumo aos 30 anos: Mais Acessibilidade
Para o diretor do MAC, Victor De Wolf, o patrocínio federal é o motor para uma modernização necessária. Entre as melhorias imediatas estão novos recursos de acessibilidade, como a instalação de telas com textos curatoriais oralizados e tradução em Libras.
“Escolhemos essas exposições para demonstrar o papel que desejamos para o MAC na sociedade atual: um abrigo poético que traz para dentro do museu os debates do nosso tempo”, declara De Wolf. Inaugurado em 1996, o museu terá uma agenda intensificada até setembro, mês oficial do seu 30º aniversário.






