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Megaoperação mira Refit e apura rombo bilionário no setor de combustíveis

Força-tarefa apura fraudes fiscais, importações irregulares e possível atuação de facções no mercado de combustíveis.

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A megaoperação deflagrada nesta quinta-feira (27) pelos órgãos de fiscalização colocou o Grupo Refit, de Ricardo Magro, no centro de uma investigação que mira um possível esquema bilionário de sonegação de ICMS, fraudes estruturadas e irregularidades no mercado de combustíveis. De acordo com autoridades estaduais e federais, o conglomerado é suspeito de operar um modelo de evasão tributária que teria provocado prejuízos massivos aos cofres públicos de São Paulo, Rio de Janeiro e da União.

A ação é resultado de meses de apurações conduzidas pela Polícia Federal, Ministérios Públicos e secretarias estaduais de Fazenda, que identificaram um conjunto de práticas recorrentes: importação de combustíveis praticamente prontos sem o devido processo de refino, manipulação de notas fiscais, triangulação de produtos entre empresas ligadas ao grupo e indícios de atuação em rede com outras distribuidoras.

Investigações anteriores da ANP já haviam levantado dúvidas sobre a atividade refinadora da Refit, levando a sucessivas interdições em Manguinhos. Para os técnicos, havia sinais de que a empresa realizava operações incompatíveis com o regime de uma refinaria, o que levantou suspeita de que a estrutura estivesse sendo usada para movimentações que burlavam a tributação sobre combustíveis — um dos setores mais sensíveis da cadeia econômica.

Nos bastidores da investigação, um ponto adicional chamou atenção: documentos de operações anteriores, como a Carbono Oculto, indicaram que empresas da cadeia de combustíveis envolvidas com facções criminosas mantinham fluxos comerciais que tangenciavam a Refit. Não houve, naquele momento, busca na refinaria, mas o nome de Magro apareceu em relatórios oficiais, o que reforçou a necessidade de aprofundar a apuração.

O detalhamento técnico do Ministério Público aponta que o esquema investigado atuaria em três frentes:
• redução artificial de impostos;
• circulação de combustíveis fora das regras de origem e qualidade;
• uso de empresas laranjas ou de fachada para camuflar operações volumosas.

As equipes afirmam que esse modelo fraudulento, se confirmado, afeta diretamente a concorrência, reduz arrecadação e distorce preços em toda a cadeia de distribuição — um impacto que, segundo os investigadores, chega ao consumidor final.

Com a operação desta quinta, os órgãos envolvidos buscam recuperar documentos, registros contábeis, dados fiscais, movimentações bancárias e evidências que permitam confirmar ou descartar a atuação de uma organização estruturada para driblar o sistema tributário. O caso ainda está em andamento, e novas fases da investigação não estão descartadas.