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Menos da metade das estradas do Brasil tem 4G; cobertura 5G não chega a 12%

Agência estuda impor obrigações no próximo leilão de frequência para acelerar expansão

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Menos da metade das estradas brasileiras conta com cobertura 4G, e a presença do 5G ainda não chega a 12% da malha viária. Os dados, divulgados pela Anatel, revelam um cenário crítico de conectividade nas rodovias federais e estaduais, com impacto direto na segurança, na mobilidade e na comunicação de milhões de motoristas.

Dos 445 mil quilômetros de estradas, apenas 47% têm cobertura 4G mínima, enquanto o 5G — tecnologia de alta velocidade — ainda está em estágio inicial. O cenário contrasta com países como Estados Unidos e México, que apresentam 90% das rodovias conectadas, e com a China, que já alcançou 80%. Na Europa, a França estabeleceu meta de 100% de cobertura até 2027.

Para acelerar a expansão, a Anatel e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) trabalham em novas regras e modelos de concessão. No próximo leilão de frequência móvel, previsto para este ano, a Anatel deve exigir cobertura obrigatória em trechos prioritários de rodovias federais, incluindo cerca de mil quilômetros faltantes na BR-101. O prazo estimado para universalização desses trechos é de três anos, com oferta mínima de 4G.

A agência também pretende tornar obrigatório o roaming entre operadoras nas rodovias, garantindo que motoristas mantenham o sinal mesmo fora da área da sua prestadora. A regulação deve entrar em vigor até meados do próximo ano. Segundo a Anatel, acordos voluntários não avançaram como esperado.

Além do leilão, a ANTT autorizou concessionárias com contratos antigos a investir em conectividade, repassando custos ao pedágio. Desde 2018, novas concessões já incluem cobertura obrigatória como substituição aos antigos call boxes. Ao todo, 26 leilões realizados — dez apenas neste ano — exigem 100% de conexão entre cinco e oito anos.

Operadoras também ampliam investimentos. A TIM lidera cobertura nas estradas e planeja expandir sua rede 4G de 7,6 mil para 10 mil quilômetros este ano, destacando aumento de 40% no tráfego de dados na Via Dutra após a instalação de novas antenas. A Vivo avança em projetos como a BR-163, no Mato Grosso, levando sinal a 850 km estratégicos para o agronegócio. A Claro prepara mais de 500 intervenções em rodovias do Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

Concessionárias como EcoRodovias, Motiva e Arteris também apostam na conectividade como ferramenta de modernização. Entre as aplicações estão monitoramento inteligente, iluminação, câmeras, internet das coisas (IoT), atendimento automático ao usuário e melhorias na gestão operacional.

Com metas ambiciosas e novas regras em discussão, o país tenta reduzir anos de atraso e aproximar suas rodovias dos padrões internacionais, onde a conectividade já é parte do serviço essencial.