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Mesmo proibidos, 554 deepfakes são identificados nas redes durante campanha eleitoral

Levantamento do projeto VigIA encontrou centenas de conteúdos manipulados por inteligência artificial ainda em circulação; 29 foram publicados por candidatos ou partidos

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Foto: Reprodução

Mesmo proibidos pela Justiça Eleitoral, 554 vídeos e imagens classificados como deepfakes foram identificados nas redes sociais durante a campanha para o primeiro turno das eleições de 2026. Os dados são de um levantamento do projeto VigIA, realizado pela agência de checagem Lupa.

Os conteúdos foram encontrados entre 16 de agosto e 28 de setembro e fazem parte de 920 publicações nas quais os pesquisadores confirmaram o uso de inteligência artificial (IA). Ao todo, o projeto coletou 1.941 conteúdos político-eleitorais suspeitos no período.

Deepfakes são materiais produzidos ou alterados por IA para fazer uma pessoa parecer dizer ou fazer algo que não aconteceu.

 

Conteúdos proibidos continuam circulando

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proíbe o uso de deepfakes na propaganda eleitoral para favorecer ou prejudicar candidaturas. A legislação também determina que conteúdos produzidos ou modificados com inteligência artificial sejam identificados de forma clara.

Mesmo com essas regras, o levantamento mostra que os conteúdos continuam sendo publicados e permanecem disponíveis nas redes. Dos 554 deepfakes encontrados, 29 foram divulgados por perfis de candidatos ou partidos.

 

Maioria foi publicada por usuários comuns

Dos 920 conteúdos confirmados com uso de IA, 525 foram publicados por usuários comuns, incluindo perfis anônimos.

Entre os materiais identificados estão vídeos que simulam jornalistas anunciando notícias falsas e conteúdos que fazem celebridades parecerem apoiar determinados candidatos.

Segundo a pesquisadora Beatriz Farrugia, responsável pelo relatório, a grande quantidade de publicações feitas por perfis anônimos dificulta a fiscalização e a identificação dos responsáveis.

 

Maioria não tinha identificação

O levantamento também apontou que a maior parte dos conteúdos produzidos ou modificados com IA não estava devidamente sinalizada.

Dos 920 materiais analisados, 371 estavam identificados como conteúdo feito com inteligência artificial, cerca de 40%. Outros 549 não tinham a sinalização adequada. Desse grupo, 75 foram publicados por candidatos ou partidos.

 

Candidatos são alvos de manipulações

A promoção de candidaturas foi a finalidade mais comum, aparecendo em 414 das 920 publicações, ou 45% do total. Cerca de um quarto dos conteúdos tinha como objetivo atacar candidatos ou outras pessoas. Também foram encontrados materiais de humor e sátira.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi a figura pública mais retratada, com 379 aparições, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 190.

Entre os conteúdos envolvendo Lula, 39% foram classificados como humor ou sátira e 34% como ataques à candidatura. No caso de Flávio, 40% buscavam favorecê-lo e 28% tinham caráter humorístico ou satírico.

 

Monitoramento

O VigIA é realizado em parceria com o Laboratório de Inteligência Artificial (Recod.ai), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Os pesquisadores utilizam ferramentas de detecção de IA e, depois, os resultados passam por análise humana.

Além dos deepfakes, o projeto monitora outros conteúdos sintéticos produzidos ou modificados com inteligência artificial.