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Morre aos 98 anos Luiz Carlos Barreto, produtor que ajudou a transformar o cinema brasileiro

Conhecido como Barretão, cineasta deixa legado de mais de 70 produções

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O produtor Luiz Carlos Barreto, um dos principais nomes da história do cinema brasileiro, morreu nesta quarta-feira (22), aos 98 anos, no Rio de Janeiro. Conhecido como Barretão, ele deixa um legado de mais de sete décadas dedicadas ao audiovisual e uma filmografia com mais de 70 produções que marcaram diferentes gerações.

A morte foi confirmada pela filha, a produtora Paula Barreto. Segundo a família, ele estava internado desde segunda-feira no Hospital Copa Star. Há pouco mais de dois anos, Barretão sofreu um acidente que o deixou paraplégico.

Ao lado da esposa e parceira de trabalho, Lucy Barreto, fundou em 1963 a produtora L.C. Barreto, responsável por alguns dos filmes mais importantes da cinematografia nacional. Entre as produções estão Vidas Secas, Terra em Transe, Dona Flor e Seus Dois Maridos, Bye Bye Brasil, Memórias do Cárcere, O Quatrilho e O Que É Isso, Companheiro?.

Natural de Sobral, no Ceará, Luiz Carlos Barreto iniciou a carreira no jornalismo e ganhou destaque como fotógrafo da revista O Cruzeiro. A experiência no fotojornalismo abriu caminho para o cinema, onde passou a atuar inicialmente como diretor de fotografia. Sua parceria com Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos foi decisiva para o movimento do Cinema Novo.

Como produtor, Barretão ajudou a aproximar o cinema brasileiro do grande público, sem abrir mão da qualidade artística. Um dos maiores sucessos de sua trajetória foi Dona Flor e Seus Dois Maridos, dirigido por Bruno Barreto em 1976, que se tornou um dos filmes de maior público da história do país.

Durante a Retomada do cinema nacional, nos anos 1990, voltou a colocar o Brasil em evidência internacional ao produzir O Quatrilho e O Que É Isso, Companheiro?, ambos indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional.

Nos últimos anos, continuou acompanhando a produção cinematográfica, mantendo-se como uma referência para o setor. Sua trajetória atravessou diferentes fases do cinema brasileiro, do Cinema Novo à Retomada, contribuindo para consolidar a produção nacional dentro e fora do país.

Luiz Carlos Barreto deixa a esposa Lucy Barreto, os filhos Paula e Bruno Barreto, netos e um legado considerado um dos mais importantes da história do audiovisual brasileiro.