Morreu nesta terça-feira (13) o jornalista Silvio Barsetti, aos 61 anos, no Rio de Janeiro. Reconhecido como uma das grandes referências da cobertura esportiva e do jornalismo investigativo no país, Barsetti foi vítima de um melanoma metastático, um câncer agressivo contra o qual lutava desde o ano passado. Ele estava internado desde o último domingo (11) após o agravamento de seu quadro de saúde.
Com quase quatro décadas de uma carreira brilhante, o repórter marcou época na imprensa nacional por sua capacidade única de transitar pelos bastidores mais complexos do poder esportivo e político, sempre guiado pelo rigor da informação e por suas perguntas incisivas.
O histórico furo da Copa de 2014
O ápice do reconhecimento público da trajetória de Silvio Barsetti ocorreu em abril de 2010, nas páginas do jornal O Estado de S. Paulo, veículo onde trabalhou por duas décadas (1995-2015).
Em uma apuração minuciosa de bastidores, Barsetti publicou com exclusividade que o Estádio do Morumbi seria excluído da Copa do Mundo de 2014 e que uma nova arena seria erguida em Itaquera para sediar a abertura do Mundial. Na ocasião, a notícia foi veementemente desmentida por dirigentes de clubes, autoridades públicas e até mesmo pela Fifa. Mantendo-se firme em suas fontes, o jornalista viu sua apuração ser confirmada oficialmente dois meses depois. O furo histórico rendeu a ele o cobiçado Prêmio Estado de Jornalismo daquele ano.
Trajetória nas redações e na CBF
Formado em jornalismo em 1988 pela Faculdade Hélio Alonso (FACHA), Silvio Barsetti iniciou seus passos profissionais no emblemático Jornal dos Sports. Ao longo de sua caminhada, acumulou passagens marcantes por grandes redações do país, incluindo: Jornal do Brasil, O Dia, O Estado de S. Paulo e o Portal Terra.
Além de cobrir múltiplas edições de Copas do Mundo e Jogos Olímpicos, Barsetti também estendeu seu faro investigativo para além do esporte, cobrindo cultura e política. Ele foi autor de livros de bastidores, incluindo a obra “O Outro Lado do Poder”.
Nos últimos anos de carreira, o jornalista passou a atuar no outro lado do balcão da notícia, exercendo o cargo de assessor de imprensa na Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Em 2024, ele foi o coordenador de comunicação da Delegação da Seleção Brasileira Feminina de Futebol nos Jogos Olímpicos de Paris, acompanhando de perto a conquista da medalha de prata.
Paixão pelo América e luto na profissão
Fora do ambiente estritamente profissional, Barsetti nutria um amor leal e folclórico pelo América Football Club do Rio de Janeiro. Declaradamente “americaníssimo”, orgulhava-se de defender o tradicional clube carioca mesmo em tempos de total domínio das grandes torcidas rivais.
A notícia de seu falecimento gerou imediata comoção entre colegas de profissão e entidades esportivas. Nas redes sociais, jornalistas de diferentes gerações prestaram homenagens ressaltando não apenas sua excelência técnica e coragem investigativa, mas também sua fidalguia, bom humor e generosidade no dia a dia das redações.








