Morreu na madrugada desta quarta-feira, 25 de fevereiro, no Rio de Janeiro, Nelson Rodrigues Filho, conhecido como Nelsinho, aos 79 anos. Ele enfrentava, desde 2024, as sequelas de um AVC.
Carioca, Nelsinho era filho do escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980), um dos maiores nomes da literatura e do teatro brasileiros. Ao longo da vida, construiu trajetória própria nas artes e na cultura da cidade, atuando como diretor de teatro, produtor e roteirista.
Figura conhecida no meio artístico e cultural, também ficou marcado pela militância política durante a ditadura militar e pela atuação na retomada do carnaval de rua carioca.
Trajetória nas artes
Embora carregasse o sobrenome de um dos mais influentes dramaturgos do país, Nelsinho trilhou caminhos próprios. Trabalhou na direção de espetáculos, na produção cultural e no desenvolvimento de roteiros, sempre ligado ao universo das artes cênicas e à efervescência cultural do Rio.
Entre suas contribuições mais lembradas está a fundação do bloco Barbas, um dos símbolos da retomada do carnaval de rua na cidade. O nome do bloco fazia referência à sua marca pessoal: a barba longa que se tornou característica ao longo dos anos.
O movimento de revitalização dos blocos ajudou a transformar o carnaval carioca em um evento de grande alcance popular, ampliando a ocupação das ruas e fortalecendo a cultura local.
Militância e prisão na ditadura
Durante o regime militar, Nelsinho integrou o MR-8, organização de resistência à ditadura. Foi preso e permaneceu encarcerado por sete anos.
Em entrevistas concedidas ao longo da vida, costumava afirmar que não foi morto em razão do prestígio do pai junto aos militares, uma referência à projeção pública de Nelson Rodrigues no período.
A experiência marcou sua trajetória pessoal e política, inserindo seu nome na geração de militantes que enfrentaram repressão durante os anos de exceção no país.






