O Ministério Público denunciou 10 policiais militares por invadirem residências durante a megaoperação no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, que terminou com 122 mortos em outubro do ano passado. A ação se tornou a operação policial mais letal já registrada no país.
Os agentes denunciados pelo MP junto à Auditoria de Justiça Militar são do Batalhão de Ações Com Cães (BAC): um subtenente, seis sargentos, um cabo e dois soldados. O uso de ferramentas para abrir portas fez investigadores do MP desconfiarem que a ação foi premeditada.
Um vídeo de uma câmera corporal mostra um dos policiais usando uma chave micha, uma ferramenta capaz de abrir portas sem a chave original. Ele insiste por cerca de um minuto.
“Foram denunciados pelo crime de violação de domicílio e pelo crime de negativa de obediência, que se refere a tentativa de obstrução das câmeras corporais”, afirmou o promotor Paulo Roberto Mello Cunha Júnior.
“Ordinariamente ninguém pode entrar na casa de ninguém sem que haja uma ordem judicial. A não ser em duas hipóteses: em flagrante de delito ou numa situação de legítima defesa”, explicou o promotor.
Um dos vídeos mostra PMs, ao invadir a casa na Vila Cruzeiro, abrindo a geladeira e consumindo bebidas, com deboche e ironia.
Outro vídeo mostra que um PM saiu de uma casa carregando várias coisas enroladas em um cobertor. O que havia lá dentro ainda é um mistério para os investigadores, mas foi dividido entre os policiais logo depois.
Tentativas de bloquear câmeras
Mesmo com o uso obrigatório das câmeras corporais, pelo menos, cinco dos 10 PMS envolvidos no caso impediram que o trabalho deles fosse registrado durante a operação.
No dia 23 de fevereiro, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, deu um prazo de mais 20 dias para o Rio de Janeiro enviar as imagens das câmeras da megaoperação.
Policiais ficam em silêncio
Durante as investigações, a maioria dos policiais ficou em silêncio ao prestar depoimentos. Quem falou não conseguiu explicar os motivos de utilizar uma chave micha para ingressarem em qualquer casa.
“É preciso repensar, reanalisar, talvez recondicionar os policiais nas práticas cotidianas, durante essas operações, sobretudo agora que nós temos as câmeras corporais que vão registrar todos os movimentos que são feitos”, lembrou o promotor Paulo Roberto.
O que diz a PM
Segundo a PM, partiu da Corregedoria-Geral da corporação a iniciativa de investigar a conduta dos agentes. Segundo a Polícia Militar, a investigação foi concluída com o indiciamento dos envolvidos e encaminhada para o Ministério Público. A corporação disse ainda que aguarda a decisão da justiça para a adoção das medidas cabíveis.






