A Nestlé anunciou nesta terça-feira (6) recall de alguns lotes de produtos de nutrição infantil, incluindo as fórmulas SMA, BEBA e NAN, principalmente na Europa, devido à possível contaminação com uma toxina que pode causar náuseas e vômitos.
A multinacional suíça disse que o recall abrange lotes vendidos em toda a Europa, bem como na Turquia e na Argentina, devido à possível contaminação com cereulida, uma toxina produzida por algumas cepas de Bacillus cereus.
“É improvável que a toxina seja desativada ou destruída pelo cozimento, pelo uso de água fervente ou durante a fabricação do leite infantil”, declarou a agência de padrões alimentícios do Reino Unido (FSA).
“A cereulida pode causar sintomas de intoxicação alimentar que podem se desenvolver rapidamente e incluir vômitos e cólicas estomacais”, apontou Jane Rawling, chefe de incidentes da FSA.
O recall, que começou em uma escala menor em dezembro, aumenta a pressão sobre o novo presidente-executivo Philipp Navratil, que está tentando recuperar o crescimento do grupo.
A Nestlé disse no final da segunda-feira (5) que nenhuma doença havia sido confirmada em conexão com os produtos recolhidos.
Depois que um problema de qualidade foi detectado em um ingrediente de um dos principais fornecedores, a Nestlé realizou “testes de todos os óleos de ácido araquidônico e misturas de óleos correspondentes usados na produção de produtos de nutrição infantil potencialmente afetados”, afirmou um porta-voz da Nestlé.
Com a conclusão dos testes, a Nestlé fez o recall dos produtos afetados e está ativando fornecedores alternativos de óleo de ácido araquidônico, aumentando a produção em várias fábricas e acelerando a liberação de produtos não afetados dos centros de distribuição para manter o fornecimento.
Maior recall da Nestlé, diz Áustria
O Ministério da Saúde da Áustria alegou que o recall afeta mais de 800 produtos de mais de 10 fábricas da Nestlé e é o maior da história da empresa. Um porta-voz da Nestlé não pôde verificar esses números.
A Nestlé publicou os números dos lotes de produtos vendidos em vários países que não deveriam ser consumidos e informou que está trabalhando para minimizar a interrupção do fornecimento.
A empresa acrescentou que identificou o risco potencial em uma fábrica na Holanda. A autoridade holandesa de segurança alimentar NVWA afirmou que a investigação da Nestlé mostrou que a matéria-prima contaminada havia sido usada em vários locais de produção, inclusive fora da Holanda.
Os problemas com fórmulas para bebês podem ser prejudiciais para as empresas. A Reckitt está explorando opções, inclusive uma venda, para os negócios com a Mead Johnson, que enfrenta centenas de ações judiciais nos Estados Unidos devido a alegações – que ela nega – de que sua fórmula infantil pode causar uma doença intestinal fatal em bebês prematuros.
A Nestlé, cujas ações caíram mais de 3% nas duas últimas sessões, controla quase um quarto do mercado global de nutrição infantil de US$ 92,2 bilhões, de acordo com o SkyQuest Technology Group.
A Nestlé não publica dados de vendas, mas a fórmula infantil faz parte de sua divisão de Nutrição e Ciências da Saúde, que foi responsável por 16,6% das vendas totais de 91,4 bilhões de francos suíços (US$ 115,4 bilhões) em 2024.






