Mais de uma semana após o incêndio que destruiu a loja de autopeças Motocriss, em Ramos, na Zona Norte do Rio, moradores da vila vizinha ainda não conseguiram retornar para suas casas. Nove dias depois, o local segue com focos ativos sob os escombros, o que mantém o trabalho do Corpo de Bombeiros em andamento.
Nesta quarta-feira (18), uma escavadeira foi utilizada para revirar o material queimado e facilitar o combate às chamas ocultas. Segundo os militares, a movimentação dos destroços permite a entrada de oxigênio em materiais inflamáveis, como pneus e óleo, provocando novos focos de incêndio. Há ainda suspeita da presença de baterias de lítio, o que dificulta o controle total do fogo.
Apesar de não haver risco de as chamas atingirem as residências, a fumaça intensa e o forte odor continuam invadindo os imóveis, tornando impossível a permanência dos moradores.
O aposentado Jorge Augusto, de 72 anos, teve parte da casa destruída e afirma viver dias de incerteza. “Parece um filme de terror. O fogo não apaga e a fumaça toma conta de tudo. Não sei como vou recomeçar”, desabafou.

A autônoma Ana Cláudia dos Santos, de 39 anos, também relata prejuízos. Sem conseguir permanecer em casa, ela perdeu alimentos e parte da produção que garantia sua renda. “Não tenho como trabalhar e meus filhos estão na casa de parentes. A gente precisa de ajuda”, afirmou.
Morador da vila há mais de 40 anos, Ivan de Souza, de 63, conta que problemas de saúde se agravaram após o incêndio. Ele perdeu medicamentos e não consegue dormir em casa devido à fumaça e ao mau cheiro.
Após críticas, a Secretaria Municipal de Assistência Social informou que ofereceu acolhimento, mas as famílias optaram por ficar com parentes. Como apoio emergencial, foi concedido o Cartão Protege SUAS, no valor de R$ 250 para alimentação, com acompanhamento do CRAS de Bonsucesso.
O incêndio teve início na manhã do dia 9 e destruiu completamente a loja, que armazenava grande quantidade de materiais inflamáveis. A ocorrência mobilizou mais de 100 bombeiros e interditou a Avenida Brasil por mais de 24 horas. Apesar da gravidade, não houve vítimas.
*Informações O DIA






