Documentos internos do Rioprevidência revelam que Nicholas Cardoso, recém-nomeado presidente interino da autarquia, ocupava cargo estratégico no setor de análise de riscos quando o órgão ignorou advertências do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). Sob sua influência no Comitê de Investimentos, a instituição ampliou a exposição financeira ao Banco Master, mesmo após alertas explícitos de “alto risco”.
Entre o final de 2023 e meados de 2024, o Rioprevidência já havia alocado R$ 970 milhões em títulos de renda fixa da instituição financeira. Em março de 2025, Cardoso foi nomeado para o Comitê de Investimentos, colegiado técnico responsável por avaliar oportunidades e, crucialmente, mitigar riscos de mercado.
Apenas um mês após sua nomeação, em abril de 2025, o TCE emitiu um parecer contundente: com 8% do fundo comprometidos no Master, o Rioprevidência estava “altamente exposto” a fragilidades específicas do banco. O Tribunal chegou a avisar que novos aportes implicariam na “assunção pessoal do risco” por parte dos gestores.
Apesar da notificação, a gestão da qual Cardoso fazia parte manteve a estratégia agressiva. Entre maio e julho de 2025, foram realizados 15 novos aportes em fundos administrados pelo conglomerado Master (Arena, Revolution e Texas I), totalizando cerca de R$ 850 milhões.
A nomeação de Nicholas Cardoso para a presidência interina ocorre em um momento de escrutínio sobre a governança do fundo de previdência fluminense, com os órgãos de controle questionando a segurança dos recursos dos servidores do estado.






