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Observatório aponta que Alemão registrou 42,2°C, acima do recorde de calor do verão do Rio

Especialistas credita a falta de áreas verdes e investimento público que causam ilhas de calor dentro das favelas

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Reprodução

No dia mais quente do verão no Rio de Janeiro até agora, segunda-feira (12), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou 40,8°C na Vila Militar. A medição do Alerta Rio, órgão da prefeitura, foi além: 41,4°C, em Santa Cruz. Enquanto isso, o Complexo do Alemão enfrentava um calor de 42,2°C, de acordo com outro sistema de medição, o Observatório do Calor.

O projeto, parceria entre a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima e a ONG Voz das Comunidades, existe desde 2023 e nunca tinha registrado temperatura tão alta. O observatório foi criado com o objetivo de produzir dados e evidências sobre os impactos das mudanças climáticas em territórios de favela.

No Inmet e no Alerta Rio, as estações de medição não ficam dentro de em comunidades, onde há as chamadas “ilhas de calor” – no caso do Alemão, um “arquipélago de calor” (entenda abaixo). Uma pesquisa indicou a falta de árvores intensifica o calor extremo em comunidades.

“Medimos principalmente a temperatura do ar, porque é ela que impacta diretamente a saúde, o bem-estar e a forma como o calor é sentido no dia a dia pelas pessoas no território”, explica Gabriela Conc, diretora executiva do Voz das Comunidades e idealizadora do Observatório do Calor do Complexo.

Para a especialista em climatologia Núbia Armond, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisadora na Universidade de Indiana (EUA), as ilhas de calor são um fenômeno natural que ocorrem em todas as cidades, mas que são intensificados nas comunidades e em áreas mais pobres.

As ilhas de calor têm esse nome por conta da variação de temperatura dentro de uma mesma cidade, onde áreas menos favorecidas são mais quentes. Segundo a especialista, esses são os principais aspectos que podem facilitar a formação de ilhas de calor:

  • retirada da cobertura vegetal (árvores, gramíneas);
  • impermeabilização do solo (asfalto, concreto);
  • densidade de edificações e uso de materiais que absorvem calor;
  • fluxo intenso de veículos;
  • características naturais (altitude, enclaves entre morros).

Segundo Armond, a Zona Norte do Rio é destaque para o fenômeno: bairros da região como Penha, Olaria e Madureira têm 0% de arborização em determinados pontos, conforme aponta a especialista.

Quando várias ilhas de calor são formadas em uma mesma região, ganha o nome de arquipélago de calor, como ocorre no Centro do Rio, nas comunidades da Rocinha, Vidigal e do Complexo do Alemão.

Armond aponta ainda que áreas da Zona Oeste, como Vila Militar e Realengo, enfrentam bolsões de calor devido à circulação atmosférica entre maciços.

As chamadas ilhas de frescor também apontam uma desigualdade social: o local carioca mais fresco, segundo Armond, é o Alto da Boa Vista, que fica rodeado pela Floresta da Tijuca, entre as Zonas Norte e Sul. A maior altitude do bairro e a cobertura vegetal são os fatores para as temperaturas mais amenas no local.