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Observatório mapeia patrimônio cultural das favelas da Zona Norte

Publicação reúne memórias, saberes e referências culturais construídas por moradores da Leopoldina

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reprodução

Igrejas centenárias, fortalezas, palácios e casarões costumam ocupar lugar de destaque quando se fala em patrimônio cultural no Brasil. Mas onde entram as memórias produzidas nas favelas? É a partir dessa provocação que o Observatório de Favelas lança o e-book Corpo morada – Inventários e educação patrimonial nas favelas da Leopoldina, desenvolvido em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Disponível gratuitamente, a publicação apresenta os resultados de um levantamento inédito sobre referências culturais presentes em favelas da Zona Norte do Rio de Janeiro, propondo uma ampliação do conceito de patrimônio para além dos monumentos históricos.

O trabalho parte da ideia de que patrimônio também é formado por saberes coletivos, redes de solidariedade, formas de ocupação do território, manifestações culturais e experiências compartilhadas ao longo de gerações. A proposta é evidenciar o protagonismo das favelas na construção da história, da identidade e da cultura carioca.

O estudo também chama atenção para uma desigualdade histórica. Embora as favelas tenham desempenhado papel fundamental na formação do Rio de Janeiro, suas contribuições seguem pouco reconhecidas nas políticas públicas de preservação da memória e do patrimônio cultural.

A pesquisa foi construída em diálogo com moradores e organizações locais, que participaram do processo de identificação das referências culturais de seus próprios territórios. O inventário abrange comunidades da região da Leopoldina, como Maré, Complexo do Alemão, Complexo da Penha, Manguinhos, Brás de Pina, Cidade Alta, Kelson’s/Marcílio Dias e áreas de Ramos.

Cada território revelou aspectos específicos de sua história. Em Manguinhos, o foco recaiu sobre os patrimônios literários; na Kelson’s, sobre as memórias ligadas às águas; e em Brás de Pina, sobre as narrativas de resistência às remoções e à luta pelo direito à cidade.

Segundo Júnior Pimentel, coordenador-executivo do eixo de Políticas Urbanas do Observatório de Favelas, o inventário foi construído “junto com os moradores, a partir do que eles reconhecem como memória e patrimônio. Cada território traz uma forma própria de contar sua história”.

Acesse: https://observatoriodefavelas.org.br/wp-content/uploads/2026/06/06_OBF_corpo_morada_ebook.pdf