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Oferta de imóveis para aluguel no Rio cai quase 32% em três anos e pressiona preços

Alta dos juros e avanço das locações por temporada explicam a alta

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reprodução

Encontrar um imóvel para alugar no Rio de Janeiro tem se tornado uma tarefa cada vez mais difícil. A oferta de imóveis para locação tradicional caiu 31,8% entre 2023 e 2026, segundo dados do Sindicato da Habitação do Rio (Secovi Rio). Com menos opções disponíveis, os preços subiram e a concorrência entre os interessados aumentou.

De acordo com o Secovi Rio, a valorização dos aluguéis é resultado da combinação entre a redução da oferta, o crescimento das locações por temporada e os juros elevados, que dificultam o acesso à casa própria e mantêm mais pessoas no mercado de aluguel.

Para o vice-presidente do Secovi Rio, Leonardo Schneider, a menor disponibilidade de imóveis aumenta a disputa pelos contratos e pressiona os valores cobrados em novas locações. Nos contratos já vigentes, os reajustes seguem os índices previstos em contrato.

Turismo impulsiona locações por temporada

O aumento do turismo também tem influenciado o mercado imobiliário. Em 2025, o Rio recebeu 10,5 milhões de turistas brasileiros e 2,1 milhões de estrangeiros, segundo a Prefeitura.

Na avaliação do presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), Leonardo Mesquita, a retomada do movimento no Aeroporto Internacional do Galeão e o crescimento do turismo estimularam proprietários a migrar imóveis para plataformas de aluguel por temporada.

Segundo ele, essa mudança reduz a oferta de imóveis para locação tradicional e contribui para a alta dos preços.

Zona Sul concentra os aluguéis mais caros

O impacto é mais evidente na Zona Sul, onde a demanda turística é maior. Dados do Data Secovi mostram que o Leblon tem o metro quadrado de aluguel mais caro da cidade, a R$ 129,10. Em seguida aparecem Ipanema (R$ 124,97) e Lagoa (R$ 89,64). Entre os dez bairros com os maiores valores de aluguel, oito estão na Zona Sul. Barra da Tijuca e Centro completam a lista.

A valorização, no entanto, também alcança outras regiões. Corretores apontam aumento dos preços em bairros como Tijuca, Méier, Vila Isabel, Taquara e Santa Cruz.

Centro lidera alta dos aluguéis

Na comparação dos últimos 12 meses, o Centro registrou a maior valorização dos aluguéis, com alta de 34,9%. Em seguida aparecem Jardim Botânico (31,7%), Lagoa (26,1%), Botafogo (21,9%) e Vila Isabel (18,5%).

Levantamento do índice FipeZAP mostra que, nos últimos três anos, os aluguéis acumularam alta de 38,09%, enquanto os preços de venda dos imóveis cresceram 11,34%.

Para representantes do setor, essa diferença reflete a combinação entre juros elevados, menor acesso ao crédito imobiliário e redução da oferta de imóveis disponíveis para locação.