Oito entidades científicas e acadêmicas cobraram mais transparência e equilíbrio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas decisões relacionadas às eleições presidenciais de 2026. Em carta aberta divulgada no domingo (11/10), as organizações questionaram a suspensão do canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, e pediram investigações sobre denúncias de irregularidades na campanha digital, incluindo o uso de criptomoedas para promover candidaturas.
A manifestação foi motivada pela decisão provisória do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, de suspender o canal, administrado pelo deputado federal André Janones e com mais de 3 milhões de participantes. A medida foi tomada após um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro. As entidades defendem que conteúdos comprovadamente falsos sejam retirados, mas alertam que o bloqueio de canais inteiros, sem análise individual das publicações, pode atingir milhões de usuários.
Na carta, as organizações pedem que a decisão seja analisada pelo plenário do TSE e que a Justiça Eleitoral priorize medidas direcionadas aos conteúdos considerados irregulares. O documento também defende o direito de defesa dos envolvidos e a aplicação de critérios iguais para todas as candidaturas.
Outro ponto levantado é o chamado token B22, mecanismo que, segundo denúncias citadas pelas entidades, teria oferecido criptomoedas em troca de publicações de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. As organizações cobram esclarecimentos sobre quem criou e financiou a operação, além da identificação dos possíveis beneficiários. A campanha de Flávio nega envolvimento com o mecanismo, segundo o texto.
A carta também menciona levantamentos do NetLab, laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sobre anúncios digitais considerados irregulares durante a campanha. Entre os casos citados estão publicações que se passavam pela Justiça Eleitoral e anúncios com conteúdo contra instituições democráticas. As entidades pedem perícias independentes, acesso de pesquisadores a dados das plataformas e apuração de possíveis diferenças no tratamento dado às campanhas.
O documento é assinado pela Academia Brasileira de Ciências (ABC), Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Andes-SN, Andifes, Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), FASUBRA Sindical, PROIFES-Federação e movimento Reitores pela Democracia. As organizações afirmam que o combate à desinformação deve ser mantido, mas defendem decisões fundamentadas e transparentes, sem restrições indiscriminadas à manifestação política dos eleitores.








