A Rede por Adaptação Antirracista, em parceria com o Observatório do Clima, enviou uma carta de posicionamento e alerta ao governo federal sobre os impactos do próximo Super El Niño. Segundo previsões de agências meteorológicas, a chance de o fenômeno ocorrer este ano é de 90%. O documento foi assinado por mais de 70 organizações e encaminhado à Casa Civil da Presidência da República, ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e ao Ministério das Cidades.
As entidades alertam que o Super El Niño previsto para os próximos meses representa um grande desafio climático e pode provocar eventos extremos em várias regiões do país. As organizações alertam que, se confirmado, o fenômeno poderá ser o mais intenso desde 1870, trazendo chuvas extremas com risco de enchentes e deslizamentos, além de períodos severos de seca, estiagem, estresse hídrico, insegurança alimentar e aumento de incêndios florestais. E quem vai sofrer mais é a população pobre e periférica.
No documento, as entidades pedem reuniões com as pastas para saber o planejamento para enfrentar este extremo climático, a verba destinada, qual é o plano de contingência ou preventivo, e como isso será comunicado à população. Sugeram a integração entre as estratégias preventivas da União, estados e municípios com ações já desenvolvidas pelas comunidades nos territórios. A proposta é fortalecer protocolos de prevenção e atuação da Defesa Civil para informar a população sobre riscos de ondas de calor, enchentes, inundações, deslizamentos e estiagens ligados ao fenômeno climático.
“A chegada do Super El Niño não é apenas a passagem de um fenômeno meteorológico, é um espelho das desigualdades que o Brasil ainda se recusa a enfrentar com seriedade”, afirma a carta. O texto diz ainda que “cada morte evitável de uma pessoa negra, periférica, quilombola ou indígena em um desastre climático é uma falha do Estado”.










