O Ozivy, primeira caneta de semaglutida produzida no Brasil pelo laboratório EMS, avançou sua última etapa regulatória antes de chegar oficialmente às farmácias. A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) enquadrou o remédio na categoria 4, estabelecendo que o seu preço máximo permitido de tabela será o mesmo do concorrente direto Ozempic: R$ 1.077,79 sem a incidência de impostos para as canetas de 1,5 ml.
Apesar de o teto governamental ser idêntico ao do produto importado, a farmacêutica brasileira confirmou que adotará uma estratégia agressiva de mercado, vendendo o Ozivy por um valor de mercado cerca de 30% menor que o da concorrência. Na prática, considerando as médias de comércio vigentes do Ozempic, a expectativa do setor é que as versões comerciais de menor dosagem da caneta brasileira fiquem estimadas em torno de R$ 630. A EMS informou que anunciará o preço oficial final com os impostos estaduais (ICMS) e a data exata de lançamento ao longo da próxima semana.
Avanço inédito após a queda da patente
O Ozivy conquistou relevância por ser o pioneiro em quebrar o monopólio da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk no Brasil, cuja patente da semaglutida expirou em março de 2026. O fim da exclusividade abriu caminho para uma corrida laboratorial regulada pela Anvisa, que até o início deste ano acumulava 17 pedidos de registros de marcas concorrentes em análise.
Especialistas em saúde pública apontam que a entrada do laboratório nacional trará os seguintes impactos para os pacientes:
- Ampliação do acesso: A queda de preço pode viabilizar a continuidade de tratamentos crônicos contra o diabetes tipo 2 e a obesidade, frequentemente interrompidos pelo alto custo financeiro.
- Guerra de preços: A tendência é que a fabricante do Ozempic original seja forçada a rever sua própria política de descontos para reter clientes e responder à concorrência interna.
- Segurança de abastecimento: A fabricação em solo brasileiro reduz a dependência de importações e blinda o mercado nacional contra os frequentes apagões de estoque globais do medicamento.
Diferença técnica essencial: Sintético X Biológico
Embora o público venha chamando informalmente o Ozivy de “Ozempic genérico”, existe uma distinção técnica fundamental em seu registro na Anvisa. O Ozempic original é classificado como um medicamento biológico, cultivado organicamente a partir de células vivas.
Já a versão desenvolvida pela EMS é um análogo sintético, fabricado puramente por meio de processos e reações químicas em laboratório. No organismo, ambas as substâncias possuem a mesma eficiência e atuam na mesma molécula receptora. No entanto, por causa dessa diferença de fabricação, o remédio brasileiro precisa ser mantido sob refrigeração constante (entre 2°C e 8°C) mesmo após ser aberto, ao contrário do importado










