O candidato ao Governo do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) encerrou a campanha para o primeiro turno com uma caminhada em Padre Miguel, na Zona Oeste da capital, na manhã deste sábado (3). A agenda teve a participação do candidato ao Senado Pedro Paulo (PSD) e do prefeito Eduardo Cavaliere (PSD). No último dia antes da votação, Paes intensificou as críticas a Douglas Ruas (PL) e defendeu a tentativa de decidir a eleição já neste domingo (4).
Durante o ato, Paes voltou a apresentar propostas para áreas como segurança pública, saúde, mobilidade e educação e fez críticas aos governos estaduais dos últimos anos. O candidato também associou Ruas ao grupo político ligado ao ex-governador Cláudio Castro e ao ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Rodrigo Bacellar.
Na avaliação de Paes, a eleição representa uma disputa entre projetos políticos distintos. Em uma das declarações mais duras da reta final, afirmou que o confronto seria entre “civilização e barbárie” e acusou o grupo adversário de ter relação com problemas de corrupção e criminalidade no estado.
“É uma disputa entre civilização e barbárie, de um grupo que entregou o estado para a corrupção e o crime organizado. É a candidatura de um desconhecido, que ninguém sabia quem era até 30 dias atrás, que tenta se esconder do que ele representa”, afirmou.
Paes tenta vincular Ruas a Castro e Bacellar
O principal eixo dos ataques de Paes foi a tentativa de associar a candidatura de Douglas Ruas às administrações estaduais recentes e à direção da Alerj.
“O candidato Douglas Ruas representa o Cláudio Castro, o Vício, o Bacellar, a máfia da Alerj. Ele foi um sucessor do Bacellar na candidatura e na Alerj. Apoia todas as estruturas, engrenagens mafiosas do estado”, declarou.
As expressões “máfia da Alerj” e “engrenagens mafiosas” foram usadas por Paes como acusações políticas no contexto da campanha e não constituem, por si só, comprovação judicial de envolvimento de Ruas em crimes.
Ruas é presidente da Alerj e assumiu o comando da Casa após Rodrigo Bacellar deixar o cargo para disputar o governo estadual. Paes tem utilizado essa relação política para tentar vincular o adversário ao grupo que esteve à frente do Legislativo fluminense nos últimos anos.
Candidato destaca amplitude da aliança
Ao mesmo tempo em que atacou o adversário, Paes procurou destacar a composição política de sua candidatura. A coligação reúne partidos e lideranças que apoiam diferentes candidatos à Presidência da República.
“Se fosse uma disputa ideológica, não teríamos uma aliança tão ampla, de pessoas que votam nos dois presidentes, nos dois principais candidatos a presidente”, afirmou.
Na sequência, Paes pediu que eleitores que não necessariamente se identificam com seu campo político considerem votar nele já no primeiro turno.
“Quero pedir muito a essas pessoas que tenham essa compreensão, que façam o voto crítico já no primeiro turno”, disse.
Situação de Garotinho entra na reta final
A situação jurídica de Anthony Garotinho (Republicanos) também esteve entre os temas que podem influenciar a apuração deste domingo.
Garotinho teve o registro de candidatura indeferido pela Justiça Eleitoral. Na sexta-feira (2), uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral determinou que os votos destinados a ele sejam registrados como “anulados sub judice” enquanto permanecer o indeferimento do registro. O nome do candidato, no entanto, continua disponível na urna eletrônica.
Questionado sobre o possível impacto da situação de Garotinho na disputa pelo primeiro turno, Paes evitou fazer uma previsão.
“Eu não sou analista. O que nós pedimos é que a Justiça Eleitoral defina se o Garotinho está elegível ou não. A nossa compreensão é que não está, mas ele estará na urna amanhã. Isso a gente não tem dúvida nenhuma”, afirmou.
Paes também disse respeitar a candidatura do ex-governador, apesar das críticas feitas durante a campanha.
“A candidatura do Garotinho é legítima, eu respeito a candidatura dele. Não concordo, acho que ele mente desbragadamente, mas respeito a candidatura dele”, declarou.
Pesquisas mostram disputa entre Paes e Ruas
Os levantamentos divulgados na reta final mostram Paes e Ruas concentrando a maior parte das intenções de voto.
Pesquisa Quaest divulgada neste sábado (3) aponta Paes com 49% dos votos válidos, contra 40% de Ruas. O levantamento ouviu 3.204 eleitores nos dias 2 e 3 de outubro, tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número RJ-03032/2026.
Na pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (2), Paes aparecia com 47% dos votos válidos, enquanto Ruas tinha 35% e Garotinho, 8%.
Com a votação marcada para este domingo, a campanha de Paes passou a concentrar os esforços na tentativa de ampliar a votação e evitar a realização de um segundo turno.
Último dia de campanha
Depois da caminhada em Padre Miguel, Paes seguiu com a agenda de campanha pela Baixada Fluminense. A programação prevista incluía uma carreata com início em São João de Meriti, em Vilar dos Teles, antes da passagem por outras regiões do Rio.
A agenda deste sábado encerra a campanha de Paes antes do primeiro turno. Neste domingo (4), os eleitores fluminenses vão escolher o governador, o presidente da República, dois senadores, deputados federais e deputados estaduais.








