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Países da América Latina convocam reunião de emergência para discutir crise na Venezuela

Celac se reúne após ataque dos EUA, e Brasil será representado pelo chanceler Mauro Vieira

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Reprodução

Países latino-americanos realizam neste domingo uma reunião de emergência para discutir a situação da Venezuela após o ataque militar dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro. O encontro ocorre no âmbito da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e busca avaliar os impactos políticos, diplomáticos e regionais da ofensiva americana.

O Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que interrompeu o período de férias e retornou a Brasília para participar das articulações. O chanceler participa da reunião ministerial por videoconferência, a partir do Palácio do Itamaraty. O encontro está marcado para as 14h, no horário de Brasília.

Bloco regional reage à escalada

Criada em 2010, no México, a Celac reúne 33 países da América Latina e do Caribe e atua como espaço de coordenação política e diplomática regional. Embora a crise venezuelana domine o debate desta reunião extraordinária, a agenda permanente do bloco inclui temas como desarmamento nuclear, agricultura familiar, cultura, energia e meio ambiente, com foco na autonomia regional.

A convocação do encontro reflete a preocupação de diversos governos com o precedente aberto pela ação militar e com os possíveis efeitos sobre a estabilidade política do continente.

Articulação de emergência no Brasil

Logo após o ataque dos Estados Unidos, o governo brasileiro promoveu reuniões ministeriais de emergência para avaliar os impactos da crise, especialmente em razão da extensa fronteira terrestre entre Brasil e Venezuela. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva coordenou os encontros de forma remota, já que está em recesso em uma base militar no Rio de Janeiro, com retorno previsto a Brasília nesta segunda-feira.

Participaram das discussões ministros das áreas de Defesa, Casa Civil, Justiça, Segurança Pública e Comunicação Social, além da embaixadora do Brasil em Caracas e representantes da diplomacia. As autoridades confirmaram que não há registro de brasileiros entre possíveis vítimas dos ataques e que cerca de 100 turistas brasileiros conseguiram deixar a Venezuela sem dificuldades.

Fronteira e cenário internacional

Apesar do fechamento da passagem fronteiriça pelo governo venezuelano, o lado brasileiro permanece aberto e com atividades regulares. O Ministério da Justiça informou que acompanha a situação e se prepara para um eventual aumento no fluxo de refugiados, caso a crise se agrave.

Em manifestação pública, Lula classificou a ação militar como inaceitável, afirmando que os bombardeios e a captura do presidente venezuelano representam uma afronta à soberania do país e criam um precedente perigoso para a América Latina e para a comunidade internacional. O presidente defendeu uma resposta firme no âmbito das Nações Unidas e a retomada do diálogo.

Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que ainda avalia os próximos passos em relação à Venezuela e indicou a intenção de maior envolvimento de Washington com o setor petrolífero do país.

Diante desse cenário, a reunião de emergência da Celac se consolida como o principal fórum regional para tentar construir uma posição conjunta dos países latino-americanos frente à crise e seus desdobramentos.