O Papa Leão XIV afirmou neste domingo que o bem-estar do povo venezuelano deve prevalecer sobre qualquer interesse político ou estratégico, após a captura do presidente Nicolás Maduro por forças especiais dos Estados Unidos durante um ataque militar ao país sul-americano. Em sua manifestação, o pontífice destacou a necessidade de respeito à soberania da Venezuela e de superação da violência.
A declaração foi feita após a oração do Ângelus, na Praça de São Pedro, no Vaticano, e marcou a primeira reação direta do papa à escalada militar envolvendo a Venezuela. Ao se dirigir aos fiéis, Leão XIV ressaltou que a crise deve ser enfrentada com justiça e paz, tendo como prioridade a população venezuelana, duramente afetada por anos de instabilidade política, econômica e social.
Apelo do Vaticano
“O bem-estar do querido povo venezuelano deve prevalecer sobre qualquer outra consideração e levar à superação da violência e ao empreendimento de caminhos de justiça e paz, garantindo a soberania do país”, afirmou o papa. O discurso reforçou a linha adotada pelo Vaticano de defesa do diálogo e da autodeterminação dos povos em meio a conflitos internacionais.
A fala do pontífice americano ganhou peso diplomático ao deslocar o foco do embate geopolítico para as consequências humanitárias da ofensiva. No Vaticano, a avaliação é de que a crise venezuelana não pode ser resolvida por meio da força militar, mas por negociações que respeitem a soberania nacional e a dignidade da população.
Reações internacionais
Além do posicionamento do papa, a captura de Maduro também provocou reações duras de aliados do governo venezuelano. A Coreia do Norte denunciou a ação dos Estados Unidos como uma grave violação da soberania da Venezuela. Em comunicado divulgado pela agência estatal KCNA, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores em Pyongyang classificou a operação como um ato de busca de hegemonia por parte de Washington.
Segundo o governo norte-coreano, o episódio reforça um padrão de comportamento dos Estados Unidos no cenário internacional. O porta-voz afirmou que a captura de Maduro seria mais uma evidência do que chamou de natureza desonesta e brutal da política externa americana.
As manifestações do Vaticano e de governos aliados à Venezuela ampliam a pressão internacional sobre Washington e reforçam o debate sobre os limites do uso da força em conflitos políticos. No centro dessas reações, a fala do Papa Leão XIV se destaca por colocar o destino do povo venezuelano acima das disputas de poder e por defender, de forma explícita, a soberania e a paz como caminhos para a superação da crise.






