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Paralisação na saúde provoca filas nas Clínicas da Família do Rio

Médicos e enfermeiros protestam por melhores condições de trabalho; SMS critica movimento e anuncia medidas judiciais

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Foto: Hudson Pontes / Prefeitura do Rio

A manhã desta quinta-feira (22) foi marcada por longas filas e atendimento reduzido em Clínicas da Família do Rio de Janeiro. O motivo foi a paralisação iniciada por médicos e enfermeiros da rede municipal, que cobram da prefeitura melhores condições de trabalho na atenção básica. A mobilização foi confirmada pelo Sindicato dos Médicos do Estado do Rio de Janeiro (Sinmed/RJ) e pelo Sindicato dos Enfermeiros do Rio de Janeiro (SindEnfRJ).

De acordo com as entidades, o protesto ocorre em resposta à precarização das unidades de saúde. Entre as principais reclamações estão a falta de segurança, a escassez de insumos básicos — como medicamentos, água, energia elétrica e equipamentos — e a sobrecarga das equipes. Profissionais relatam que algumas equipes são responsáveis por mais de quatro mil pacientes, o que compromete a qualidade do atendimento prestado à população.

A categoria também aponta desvalorização profissional, com ausência de reajuste salarial há quatro anos, cortes de adicionais, metas não pagas desde 2023 e o descumprimento de acordos firmados anteriormente com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Segundo os sindicatos, o cenário tem contribuído para o aumento de adoecimento mental, casos de burnout, alta rotatividade de profissionais e dificuldades para garantir o tempo adequado de atendimento.

 

Violência agrava crise na atenção básica

A insegurança nas unidades é apontada como um dos fatores centrais da mobilização. Clínicas da Família e outros equipamentos da rede municipal frequentemente precisam suspender o funcionamento por causa de tiroteios e confrontos armados em seu entorno.

Levantamento da própria SMS, realizado no ano passado e obtido pela Agenda do Poder, indica que entre janeiro e setembro de 2025, 741 unidades de atendimento foram fechadas temporariamente em razão da violência armada — uma interrupção, em média, a cada nove horas. No mesmo período, mais de 200 profissionais solicitaram transferência de unidades localizadas em áreas consideradas de risco.

À época, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, reconheceu o impacto da violência sobre o funcionamento da rede e relatou o receio de profissionais em atuar em determinadas unidades após episódios de invasões armadas e confrontos. Ele também cobrou ações do Governo do Estado para reforçar a segurança nessas regiões.

 

SMS critica paralisação e anuncia ações judiciais

Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que o diálogo sobre reajuste salarial e melhorias nas condições de trabalho é legítimo e faz parte da agenda permanente da gestão. A pasta, no entanto, criticou a paralisação, afirmando que a interrupção de atendimentos e o cancelamento de consultas causam prejuízos diretos à população e comprometem o acesso aos serviços essenciais.

A SMS também relembrou paralisações ocorridas em 2016, que, segundo a secretaria, provocaram impactos negativos à gestão da saúde no município. A pasta destacou ainda que os médicos de família do Rio de Janeiro recebem uma das maiores remunerações do estado e entre as capitais do país, com salários que ultrapassam R$ 16 mil e podem chegar a R$ 31 mil com bonificações.

A secretaria informou que adotará medidas judiciais contra a paralisação e afirmou que, enquanto houver ações que comprometam a prestação dos serviços, não haverá avanço nas negociações com as categorias. A SMS reiterou, por fim, o compromisso com a continuidade da assistência e com a responsabilidade na gestão do sistema público de saúde.