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Partido Novo se recusa a reconhecer vitória de Lula; 27 partidos aceitam resultado das urnas

Presidente da legenda, Eduardo Ribeiro, cita ações judiciais contra a chapa Lula-Alckmin; Mobiliza ainda não se manifestou e PL, partido de Flávio Bolsonaro, reconheceu a reeleição

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Foto: Amanda Perobelli/Reuters

Uma semana após o segundo turno das eleições presidenciais, o Partido Novo mantém a decisão de não reconhecer a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A legenda questiona o resultado do pleito e afirma que só poderá rever sua posição após a análise de ações judiciais contra a chapa formada por Lula e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Já o Mobiliza ainda não havia se manifestado publicamente sobre o desfecho da disputa até este sábado (31).

O Novo está isolado nesse posicionamento. Levantamentos publicados após a eleição apontam que 27 partidos já reconheceram a vitória de Lula, incluindo o PL, legenda do senador Flávio Bolsonaro, candidato derrotado no segundo turno. O reconhecimento do resultado, porém, não significa necessariamente apoio ao governo reeleito.

Em uma publicação nas redes sociais, o presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, contestou o resultado eleitoral e acusou o Partido dos Trabalhadores de utilizar a máquina pública e o Supremo Tribunal Federal (STF) para permanecer no poder.

“O resultado da eleição é a prova de que o Brasil não é uma democracia”, escreveu Ribeiro.»

O dirigente fez referência à decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que autorizou a extensão do horário de votação até as 19h em seções eleitorais que ainda tinham eleitores na fila. A medida também havia sido solicitada pelo PL.

Ribeiro afirmou ainda que o partido possui três ações judiciais contra a chapa Lula-Alckmin, todas apresentadas antes da eleição. Em entrevista ao portal g1, declarou que a legenda não pretende mudar de posição enquanto os processos estiverem pendentes de julgamento.

“Seria contraditório a gente reconhecer a vitória de uma chapa que a gente ainda está contestando na Justiça”, afirmou.

As acusações feitas pelo dirigente, no entanto, não alteram o resultado oficial proclamado pela Justiça Eleitoral.

TSE confirma vitória de Lula e regularidade do pleito

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou a reeleição de Lula no domingo (25), após a totalização dos votos do segundo turno. O presidente recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, contra 59.826.041 votos, ou 48,21%, de Flávio Bolsonaro.

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que as eleições transcorreram dentro da normalidade e destacou a atuação da Justiça Eleitoral para garantir a segurança do processo.

A decisão de questionar judicialmente uma candidatura é um instrumento previsto na legislação eleitoral. Entretanto, a apresentação de ações não significa que as acusações tenham sido comprovadas ou que o resultado das urnas tenha sido invalidado.

Flávio Bolsonaro também contestou o resultado

A recusa do Novo ocorre em meio à contestação pública da derrota por Flávio Bolsonaro. Após o segundo turno, o candidato derrotado afirmou que pretendia pedir a anulação da votação e, posteriormente, deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos.

Já em território americano, Flávio divulgou uma carta na qual questionou o resultado eleitoral e se declarou o verdadeiro presidente eleito do país. Minutos depois, recuou da expressão e passou a se apresentar como “líder do Brasil”.

O documento não foi acompanhado, nas informações divulgadas até o momento, de comprovação pública capaz de invalidar o resultado proclamado pelo TSE.

O Novo não se pronunciou especificamente sobre a carta de Flávio. A postura evidencia que a contestação do resultado eleitoral permanece entre os temas de tensão no campo da direita brasileira após a derrota nas urnas.

PL reconhece a vitória do adversário

Um dos aspectos que mais chamam a atenção no cenário político é o posicionamento do próprio PL. Apesar de Flávio Bolsonaro não reconhecer publicamente a derrota, a legenda está entre os 27 partidos que reconheceram a vitória de Lula.

Além do PL, a lista inclui União Brasil, MDB, PSD, Republicanos, PSDB, PDT, PSB, PSOL, Podemos, Avante, Democracia Cristã (DC), Democrata, Unidade Popular (UP) e PSTU, entre outras siglas.

O Mobiliza, por sua vez, ainda não havia divulgado manifestação sobre o resultado até o fechamento desta reportagem.

A divergência entre a posição do candidato derrotado e a do partido que o lançou demonstra que o reconhecimento institucional do resultado eleitoral não é necessariamente acompanhado por todos os integrantes das legendas.

Com a apuração concluída e a vitória de Lula proclamada, eventuais questionamentos sobre a validade do pleito deverão ser examinados pelas instâncias competentes, com base nas provas e nos procedimentos previstos na legislação.