Uma semana após o segundo turno das eleições presidenciais, o Partido Novo mantém a decisão de não reconhecer a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A legenda questiona o resultado do pleito e afirma que só poderá rever sua posição após a análise de ações judiciais contra a chapa formada por Lula e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Já o Mobiliza ainda não havia se manifestado publicamente sobre o desfecho da disputa até este sábado (31).
O Novo está isolado nesse posicionamento. Levantamentos publicados após a eleição apontam que 27 partidos já reconheceram a vitória de Lula, incluindo o PL, legenda do senador Flávio Bolsonaro, candidato derrotado no segundo turno. O reconhecimento do resultado, porém, não significa necessariamente apoio ao governo reeleito.
Em uma publicação nas redes sociais, o presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, contestou o resultado eleitoral e acusou o Partido dos Trabalhadores de utilizar a máquina pública e o Supremo Tribunal Federal (STF) para permanecer no poder.
“O resultado da eleição é a prova de que o Brasil não é uma democracia”, escreveu Ribeiro.»
O dirigente fez referência à decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que autorizou a extensão do horário de votação até as 19h em seções eleitorais que ainda tinham eleitores na fila. A medida também havia sido solicitada pelo PL.
Ribeiro afirmou ainda que o partido possui três ações judiciais contra a chapa Lula-Alckmin, todas apresentadas antes da eleição. Em entrevista ao portal g1, declarou que a legenda não pretende mudar de posição enquanto os processos estiverem pendentes de julgamento.
“Seria contraditório a gente reconhecer a vitória de uma chapa que a gente ainda está contestando na Justiça”, afirmou.
As acusações feitas pelo dirigente, no entanto, não alteram o resultado oficial proclamado pela Justiça Eleitoral.
TSE confirma vitória de Lula e regularidade do pleito
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou a reeleição de Lula no domingo (25), após a totalização dos votos do segundo turno. O presidente recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, contra 59.826.041 votos, ou 48,21%, de Flávio Bolsonaro.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que as eleições transcorreram dentro da normalidade e destacou a atuação da Justiça Eleitoral para garantir a segurança do processo.
A decisão de questionar judicialmente uma candidatura é um instrumento previsto na legislação eleitoral. Entretanto, a apresentação de ações não significa que as acusações tenham sido comprovadas ou que o resultado das urnas tenha sido invalidado.
Flávio Bolsonaro também contestou o resultado
A recusa do Novo ocorre em meio à contestação pública da derrota por Flávio Bolsonaro. Após o segundo turno, o candidato derrotado afirmou que pretendia pedir a anulação da votação e, posteriormente, deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos.
Já em território americano, Flávio divulgou uma carta na qual questionou o resultado eleitoral e se declarou o verdadeiro presidente eleito do país. Minutos depois, recuou da expressão e passou a se apresentar como “líder do Brasil”.
O documento não foi acompanhado, nas informações divulgadas até o momento, de comprovação pública capaz de invalidar o resultado proclamado pelo TSE.
O Novo não se pronunciou especificamente sobre a carta de Flávio. A postura evidencia que a contestação do resultado eleitoral permanece entre os temas de tensão no campo da direita brasileira após a derrota nas urnas.
PL reconhece a vitória do adversário
Um dos aspectos que mais chamam a atenção no cenário político é o posicionamento do próprio PL. Apesar de Flávio Bolsonaro não reconhecer publicamente a derrota, a legenda está entre os 27 partidos que reconheceram a vitória de Lula.
Além do PL, a lista inclui União Brasil, MDB, PSD, Republicanos, PSDB, PDT, PSB, PSOL, Podemos, Avante, Democracia Cristã (DC), Democrata, Unidade Popular (UP) e PSTU, entre outras siglas.
O Mobiliza, por sua vez, ainda não havia divulgado manifestação sobre o resultado até o fechamento desta reportagem.
A divergência entre a posição do candidato derrotado e a do partido que o lançou demonstra que o reconhecimento institucional do resultado eleitoral não é necessariamente acompanhado por todos os integrantes das legendas.
Com a apuração concluída e a vitória de Lula proclamada, eventuais questionamentos sobre a validade do pleito deverão ser examinados pelas instâncias competentes, com base nas provas e nos procedimentos previstos na legislação.








