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Pedreiro mortos em por PMs em São Gonçalo é sepultado sob protestos e cobrança por Justiça

Moradores afirmam que os agentes confundiram as ferramentas de trabalho que as vítimas carregavam com armas de fogo. O caso está sendo investigado pela DHNSG.

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O  corpos do pedreiro Marcelo da Cruz Silva, de 41 anos, está sendo sepultado na tarde desta quinta-feira (28/05), no Cemitério São Miguel, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O velório começará às 13h, e o sepultamento está marcado para as 15h, sob forte clima de comoção e protestos na região.

Já a despedida de Edivan Felipe de Assis será nesta sexta-feira (29/05), também no Cemitério São Miguel, a partir das 11h30.

Os dois trabalhadores foram baleados e mortos por policiais militares na manhã de ontem (27), durante uma operação do 7º BPM, durante uma ação do 7º BPM (São Gonçalo) na localidade de Ipuca. Segundo testemunhas, os dois estavam em uma motocicleta na Avenida Doutor Albino Imparato quando foram atingidos por disparos efetuados por policiais militares.

Moradores afirmam que os agentes confundiram as ferramentas de construção civil que as vítimas carregavam com armas de fogo. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG).

Indignação e revolta na comunidade

A morte dos pedreiros provocou indignação imediata na vizinhança. Enquanto os corpos aguardavam a chegada da perícia técnica na quarta-feira, dezenas de moradores realizaram um protesto no local do crime contra a atuação da polícia.

“Total despreparo. Não é a primeira vez que a PM confunde ferramentas de obra com arma. O despreparo está demais. Serem afastados é o mínimo”, desabafou uma moradora da região que preferiu não se identificar.

Outra conhecida das vítimas reforçou o sentimento de abandono social: “Dois pais de família assassinados! Realmente a vida do favelado não importa para vocês”.

Bloqueios e correria na BR-101

O clima de tensão se estendeu para as principais vias de acesso ao município. Pouco após as mortes, manifestantes fecharam a rodovia BR-101 na altura do km 306, no sentido Rio de Janeiro, incendiando pneus e móveis.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o trânsito chegou a ficar completamente interditado por volta das 10h de quarta-feira, sendo liberado totalmente apenas no final da manhã.

No início da tarde, uma nova tentativa de bloqueio gerou tumulto generalizado. Um manifestante invadiu um ônibus interestadual, roubou a chave do veículo e fugiu, forçando os passageiros a evacuarem o coletivo. Policiais militares reagiram com tiros de bala de borracha e bombas de efeito moral para dispersar a multidão e desobstruir a pista.

PM afasta policiais e recolhe câmeras corporais

Em nota oficial, a Secretaria de Estado de Polícia Militar informou que um procedimento apuratório interno segue em curso pelo comando do 7º BPM para averiguar todas as circunstâncias do episódio. A corporação declarou que lamenta as mortes e que preza pela transparência de suas ações, colaborando integralmente com as investigações.

A porta-voz da PM, tenente-coronel Cláudia Moraes, confirmou que todos os policiais militares envolvidos na ocorrência foram preventivamente afastados do serviço operacional. Eles já prestaram os primeiros depoimentos na DHNSG e, posteriormente, prestarão depoimento à corporação.

As armas dos agentes e as imagens gravadas pelas câmeras corporais de seus uniformes foram apreendidas e passarão por perícia técnica, que deve ajudar a esclarecer a dinâmica dos disparos.