O Peru vive um domingo decisivo. Os eleitores vão às urnas hoje, dia 7, para escolher o próximo presidente da República entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez. O vencedor do pleito enfrentará o desafio de pacificar uma nação exausta e assumirá o cargo no dia 28 de julho. Quem quer que seja o eleito, ostentará uma marca alarmante: será o nono presidente a governar o país em um intervalo de apenas dez anos.
Essa rotatividade frenética reflete uma década de profunda instabilidade política. Especialistas apontam que parte do problema reside na estrutura do Legislativo peruano. Ao contrário do modelo brasileiro, que conta com um sistema bicameral (Câmara e Senado) para frear impulsos políticos, o Peru adota o sistema unicameral. Essa configuração facilita e acelera a aprovação de “impeachments express” e destituições relâmpago.
O novo governante sucederá o presidente interino José María Balcázar Zelada. Balcázar não chegou ao poder pelo voto popular, mas sim escolhido pelo Congresso para um mandato-tampão após a queda de José Jerí. Ele era deputado e assumiu o Executivo em fevereiro, após Jerí sofrer uma destituição sumária devido a escândalos envolvendo reuniões secretas com um empresário chinês.
A queda de Jerí está longe de ser um caso isolado. Desde que Ollanta Humala deixou a presidência, em 28 de julho de 2016, nenhum mandatário eleito conseguiu cumprir o seu mandato de forma integral. A história recente do país é marcada por renúncias e cassações que minam a confiança da população nas instituições democráticas.
Antes de Jerí, a crise já havia engolido Dina Boluarte. Pressionada por uma rejeição popular histórica, com índices de aprovação que oscilavam entre minguados 2% e 4%, ela não resistiu politicamente. Alvo de denúncias graves de enriquecimento ilícito, Boluarte acabou sofrendo impeachment pelo Legislativo, pavimentando o caminho para a atual situação de transição e incerteza que o país tenta encerrar hoje.










