Uma pesquisa Datafolha mostra que apenas 23% dos eleitores dizem se lembrar dos candidatos escolhidos para os cargos do Legislativo na disputa passada. O percentual é praticamente o mesmo para os três cargos. O dado expõe a distância entre eleitor e Parlamento e, segundo especialistas, também acende um alerta sobre a despolitização da sociedade.
Entre os entrevistados, 67% afirmam não se lembrar do voto para deputado federal, enquanto 10% dizem não ter votado. Para deputado estadual, 66% não lembram e outros 10% não participaram da eleição. No caso do Senado, 66% também não conseguem recuperar da memória o nome escolhido, enquanto 10% afirmam não ter votado.
E a pesquisa mostra exatamente uma mudança de cenário quando os cargos são mais altos. Segundo o levantamento, 54% dizem se lembrar em quem votaram para governador em 2022. Para presidente da República, o índice chega a 85%.
No entanto, quando questionados espontaneamente sobre senadores em exercício, 40% dos entrevistados disseram não conseguir citar nenhum nome e outros 35% afirmaram não saber. Somados, os grupos representam 75% dos entrevistados.
Para especialistas a diferença está relacionada a fatores que vão da visibilidade dos cargos à maneira como o sistema eleitoral organiza as disputas. O sociólogo Rodrigo Monteiro, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), destaca que presidente e governador concentram maiores decisões e, por isso, são mais fáceis do eleitor recordar.
“Os cargos executivos, por concentrarem maior poder decisório, simbólico e de recursos financeiros, acabam por estar mais presentes no cotidiano dos cidadãos. De forma que se uma gestão no executivo é bem avaliada, ela tem maior probabilidade de sucesso numa reeleição ou de encaminhamento de eleição de um candidato indicado”, avalia.
A presença cotidiana, segundo Monteiro, também é reforçada pela exposição pública desses agentes. Problemas concretos enfrentados pela população são frequentemente associados aos governos, enquanto a atuação de deputados e senadores tende a aparecer de maneira menos direta para o eleitor.
*Com informações da Agenda do Poder








